O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 06/07/2021

No filme “Wall-E”, evidencia-se o cenário pós-apocalíptico do planeta Terra, o qual está inabitável devido à grande concentração de lixo proveniente do consumismo em larga escala. Fora da ficção, se a vasta produção de resíduos siga na mesma intensidade atual, consequentemente, um futuro similar ao do filme pode se tornar realidade. Nesse sentido, em razão de um sistema fortemente capitalista e de uma educação deficitária, emerge um problema complexo — o qual precisa ser revertido urgentemente.

Diante desse cenário, vale destacar que uma sociedade marcada pela idealização da felicidade nos bens materiais é algo que corrobora a perpetuação do consumismo. Sob esse ângulo, Karl Marx — revolucionário socialista —, traz o conceito de fetichismo das mercadorias, no qual os indivíduos, em busca da aceitação social, são influenciados a adquirir cada vez mais produtos. Sendo assim, ao se observar o contexto mundial, nota-se que o postulado de Marx procede, uma vez que está enraizado no povo a ideia de prazer oriunda da compra de novos produtos, o que, claramente, alimenta um forte sistema capitalista, o qual visa, sobretudo, o lucro e não se importa com os danos à natureza. Assim, é necessário que a mentalidade de todos mude para que não sofram com as futuras consequências.

Ademais, é importante salientar que a baixa qualidade da educação nacional é outro grave fator à formação de um enorme volume de entulho. À vista disso, consoante o filósofo Immanuel Kant, o homem tem seu intelecto formado de acordo com o que lhe é ensinado. Sob essa lógica, se há um obstáculo social, há uma lacuna educacional. Nessa perspectiva, no que tange à imparcialidade das pessoas com os ataques à biodiversidade, percebe-se que a escola não cumpriu — e ainda não cumpre — o seu papel no sentido de prevenir e reverter os impasses coletivos, uma vez que ela nunca abordou, de modo especial, sobre os resultados do consumismo desenfreado. Com isso, um possível caminho para combater a ignorância do povo é usar o raciocínio de Kant: fazer o homem crescer intelectualmente a partir de um ensino de rigor, o qual preze pelo respeito, inclusive, à natureza.

Infere-se, portanto, que a mídia, a qual tem papel fundamental na organização, legitimação e curadoria das informações, organize oficinas virtuais, por meio das redes sociais, como o Instagram, as quais mostrem que a produção exagerada de bens materiais é proporcional à criação de resíduos. Com efeito, almeja-se tornar o corpo social mais voltado à reciclagem. Além disso, o Ministério da Educação, enquanto regulador das práticas educacionais do país, modifique a mentalidade das novas gerações, a partir de projetos pedagógicos e científicos, os quais abordarão sobre os principais entraves do século XXI — incluindo a exploração desmasiada de bens materiais. Dessa forma, espera-se frear a produção de lixo a partir da sociedade do consumo no Brasil, assim como tornar o filme “Wall-E” apenas ficção.