O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 05/07/2021
O documentário “A História das Coisas”, dirigido pela ativista norte-americana Annie Leonard, enfatiza o impacto resultante de uma cultura consumista, marcada pela exacerbada produção de resíduos. Analogamente, na atualidade, nota-se diversos empecilhos que dificultam o controle do lixo gerado no Brasil, seja pela negligência do poder público, seja pela inércia da sociedade. Assim, faz-se necessário uma ação integrada entre o Estado e a comunidade civil sem sentido de reverter o quadro.
De início, é inteligível que as falhas governamentais contribuem para o continuísmo desse cenário alarmante. Segundo a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 225º, o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado é inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, o escasso número de coleta seletiva, principalmente, em periferias, bem como a insuficiência de medidas educativas norteadas não descarte correto dos resíduos são fatores que comprometem o controle do lixo e, consequentemente, inviabilizam um ecossistema saudável. Dessa forma, são necessárias políticas públicas, assumidas pelo poder público, no sentido de controlar o lixo gerado no Brasil.
Ademais, uma inércia do corpo social frente à problemática colabora para a permanência do impasse. O sociólogo Émile Durkheim relata que a sociedade pode ser comparada com um “corpo biológico” por, assim como o próprio organismo, apresentar partes que interagem entre si. Contudo, na atualidade, observa-se que a população brasileira não coopera com o controle do lixo, uma vez que há o consumo exacerbado de produtos descartáveis, desperdício, descarte incorreto e pouca reutilização de materiais. Destarte, a comunidade civil deve participar da forma ativa na gestão dos resíduos em território brasileiro.
Urge, portanto, a adoção de medidas para controlar o lixo gerado no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério das Cidades promover a ampliação da coleta seletiva, principalmente, em áreas mais pobres do país. Além disso, o Ministério da Educação e a mídia devem proporcionar debates periódicos e eventos sociais em nível nacional, por meio de campanhas de caráter popular e da divulgação - em rádio, televisão, jornal e internet - de cartilhas informativas, um fim de instruir uma população sobre o descarte correto do lixo, usar formas de reutilização de materiais e conscientizar sobre o consumo excessivo e o desperdício. Assim, a nação viverá em consonância com a Carta Magna vigente, fará jus à teoria do sociólogo Émile Durkheim e se tornará mais coesa.