O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 06/07/2021

Thanos,vilão do filme “Vingadores”, é um antagonista que planejou exterminar 50% dos seres vivos baseado em uma teoria: a descrença na gestão ambiental. Para ele, cujo planeta de origem foi destruído pelo consumação dos recursos naturais, não há chance de sobrevivência para o universo com as consequências de tal consumo. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada na obra pode ser relacionada ao hodierno cenário brasileiro: gradativamente, em função do consumo desenfreado e, consequentemente, da escassa coleta seletiva, o volume de lixo no Brasil apresenta um recrudescimento, o qual inviabiliza o desenvolvimento sustentável da nação verde-amarela.

Em primeira análise, é valido salientar que sem consumo não existe mercado. Por esse motivo, a indústria utiliza-se de inúmeras estratégias, como estimular o intenso desgaste dos recursos naturais, para atingir seu principal objetivo: o lucro. Sob esse viés, concordando com a célebre frase do escritor George Owrell: “A massa mantém a marca, a marca mantém a massa , e a mídia controla a massa”, a indústria nacional cria na consciência das pessoas necessidades irreais, estimulando-as a renovar seus bens materiais constantemente. Assim, observa-se que o grande volume de lixo produzido no país provém, principalmente, do consumo desenfreado da população que move o mercado, fazendo-se necessárias mudanças na postura da sociedade diante desse problema.

Nota-se, outrossim, que a escassa coleta seletiva— processo de segregação e de envio de resíduos para a reciclagem, o qual minimiza a poluição causada pelo lixo e promove a economia dos recursos ambientais— é a consequência direta do consumismo. Contrariamente a essa lógica, o artigo 225 da Constituição Federal preceitua que todos têm direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, impondo-se ao poder público e à sociedade o dever de preservá-lo, no entanto o grande volume de lixo, ocasionado pela dinâmica capitalista e pela precária rede de coleta seletiva inviabiliza o cumprimento da Carta Magna. Dessa forma, enquanto o consumo for regra, o desenvolvimento sustentável e a redução do volume de lixo serão a exceção.

Portanto, a fim de reverter a lógica do desperdício que permeia o corpo social, urge que instituições formadoras de opinião, como as escolas, por intermédio do diálogo para o desenvolvimento da consciência crítica em relação à influência da indústria nas decisões de consumo, devem esclarecer a necessidade de hábitos sustentáveis, como a coleta seletiva do lixo .Ademais, compete ao Ministério do Meio Ambiente, por meio do redirecionamento de verbas, a fiscalização acerca do volume de lixo produzido pelas indústrias.Somente assim, poder-se-á combater a concepção de descrença ambiental, vivenciada de forma semelhante por Thanos em “Vingadores”.