O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 07/07/2021

O advento da Revolução Industrial e o consequente aumento de indústrias, proporcionou um maior número de mercadorias na sociedade atual. No entanto, agravou o aumento da produção de lixo. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude do consumismo e da falta de investimentos.

Em primeiro plano, é preciso atentar para o consumismo desenfreado presente na questão. Nesse sentido, o conceito de “sociedade de consumo” se torna bastante útil, pois é um termo utilizado para designar a sociedade que se caracteriza pelo consumo massivo, uma causa latente na questão do lixo na coletividade. Nessa perspectiva, Platão contribui para a discussão ao definir que o amor (Eros) era o desejo por aquilo que não se tem. Nesse sentido, percebe-se que o corpo social, por conta de uma compra massiva de produtos, contribui significativamente para o aumento do lixo, uma vez que, nunca estão satisfeitos com o que têm e sentem a necessidade de comprar mais. Logo, a sociedade do consumo, tem contribuído para a solidificação do problema.

Além disso, cabe ressaltar que a falta de investimentos é um forte empecilho para a resolução do problema. Sabe-se que a base de uma sociedade capitalista é o capital, como explicam filósofos como Marx. Nesse sentido, para serem resolvidos problemas dentro do contexto capitalista, faz-se necessário investimento financeiro. No entanto, o Governo ainda não tem aplicado investimentos para a construção de aterros sanitários eficientes, visto que muitas pessoas ainda sofrem com as consequências de lixões a céu aberto.Assim, a questão do lixo tem sido negligenciada, o que torna sua solução mais difícil de ser alcançada.

Portanto, é evidente que tais entraves precisam ser solucionados. Dessa forma, o Ministério Público Federal e o Tribunal de Contas da União devem fiscalizar o destino dos investimentos brasileiros, a fim de remanejá-los a áreas que mais necessitam. Para que tal destinação seja coerente com a realidade brasileira, estes órgãos podem criar consultas públicas, nas quais a população interaja e aponte questões como o lixo, que precisam ser resolvidos com urgência, como o aumento da coleta seletiva nos bairros e a construção de aterros sanitários. Além disso, cabe à mídia divulgar nas redes sociais o impacto do consumismo na questão do lixo, e elaborar alternativas para se reduzir o consumo em massa. Somente assim, será possível reverter o problema e, ademais, promover um melhor cenário global desde a Revolução Industrial.