O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 13/07/2021
Em Wall-e, renomado longa metragem, é apresentado um cenário distópico-futurístico em que a população terrestre teve que evacuar a Terra devido ao extremo acúmulo de lixo no planeta. Semelhantemente à ficção, com o avanço da globalização, as relações comerciais sofreram um aumento exponencial. Porém, por conseguinte, também houve uma significativa elevação na quantidade de mercadorias descartadas, o que resulta em um excesso de resíduos, ou seja, um potencial problema ecológico. Logo, é imprescindível, a análise da relação entre o lixo e a sociedade de consumo no Brasil, com enfoque nas atuações de classes sociais distintas dentro desta conjuntura.
Em primeiro lugar, é necessário destacar que, apesar do fenômeno do consumismo ser muito presente dentro das altas classes, esta permanece intacta quanto aos efeitos ambientais decorrentes de tal prática. Nesse viés, em ‘‘O Poço’’, obra cinematográfica, dentro de um complexo, o qual representa a sociedade em suas diversas camadas, os mais privilegiados vivem de forma irrestrita e abundante, o que gera efeitos negativos, os quais recaem sob os integrantes das camadas inferiores. Analogamente, as pessoas com alto poder monetário são insentas das intempéries resultantes de seu próprio consumismo, como o aumento do lixo urbano, pois possuem condições de se manter em ambientes nobres e exclusivos, longe de lixões ou ambientes desagradáveis em geral.
Nesse sentido, em contraste com classe supramencionada, as pessoas sem muitos resursos financeiros têm seus estilos de vida afetados negativamente devido às alterações no meio onde vivem. Dentro desta perspectiva, Milton Santos, geógrafo brasileiro, conceitua como cidadania multilada a não integralidade da cidadania brasileira, o que ocorre devido a atuação de políticas que, além de não promoverem uma lógica de direitos, a subverte por uma lógica econômica e consumista. Ainda na ótica do pensador, a degradação ambiental decorrente da elevação de resíduos proveniente do consumismo é especialmente prejudicial aos pobres, os quais moram em locais geralmente desprovidos de serviços essenciais, como o saneamento básico. Logo, nota-se uma negligência estatal em assegurar os benefícios normativos, nesse caso, o direito à um meio ecologicamente saudável, aos que não tem condições econômicas favoráveis, o que não ocorre àqueles em situação financeira oposta.
Portanto, medidas são necessárias para a mitigação ou até superação dos impasses supracitados. Para isso, é necessário que o Ministério da Cidadania, por meio da formulação de políticas públicas, proporcione às populações carentes os seus direitos à um ambiente sustentável, o que será feito pela ampliação do saneamento básico pelos territórios mais afetados. Dessa forma, finalidade de um Brasil sem problemas ambientais decorrentes do consumismo será plenamente alcançada.