O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 18/07/2021
Muito se discute acerca do descarte adequado do lixo no Brasil, pois seu uso incorreto acarreta sérias consequências para uma sociedade, como os problemas ambientais. À título de exemplo, citam-se os materiais eletrônicos, que são descartados sem os devidos cuidados, impactando o ecossistema local por meio da liberação de substâncias tóxicas. A cultura da compra contribui para esse cenário, pois os padrões irracionais de consumo têm aumentado a concentração desse material nos aterros sanitários.
Primeiramente, para compreender o contexto atual do descarte incorreto do lixo eletrônico, deve-se analisar uma consciência coletiva pautada em padrões de consumismo. O sociólogo Zygmunt Bauman aborda essa temática ao afirmar que se vive atualmente a “cultura do lixo”, na qual os sujeitos agem irracionalmente nos seus padrões de consumo, pois se compra itens que são rapidamente descartados por surgirem novidades tecnológicas.
Nesse sentido, emerge como consequência principal o acúmulo de lixo eletrônico em aterros sanitários. Esses resíduos tecnológicos, como celulares e computadores, ao serem depositados nesses ambientes, substâncias liberam tóxicas, como metais pesados, que contaminam os solos, rios e fauna. Além disso, destaca-se os efeitos cancerígenos esses elementos, os quais acarretam problemas de saúde aos trabalhadores que manuseiam esses detritos.
Ademais, pontua-se que, no contexto brasileiro, o tratamento eficaz desse lixo eletrônico é problema sério. Conforme estudos da Organização das Nações Unidas e do Global E-Waste Monitor 2020, em 2019, houve um aumento de 21%, em cinco anos, na produção de lixo eletrônico global, com o Brasil sendo um dos maiores países que contribuem para esse quadro . Ademais, para intensificar esse cenário, a Organização Internacional do Trabalho afirma que apenas 20% desse material é descartado corretamente, impactando diretamente na qualidade de vida do meio ambiente e dos trabalhados que manuseiam diariamente detritos eletrônicos.
Diante do exposto, nota-se o crescente descaso no que concerne ao tratamento do lixo eletrônico, com consequências graves para a qualidade da saúde ambiental e das pessoas. O consumismo, juntamente com a falta de tratamento adequado esses detritos, causa acúmulo desses lixos em aterros sanitários. Para reverter esse quadro, o Estado, por meio da Secretaria do Meio Ambiente e do Ministério da Educação, deve organizar políticas, de âmbito nacional, um fim de elucidar uma população sobre os efeitos prejudiciais do uso incorreto de material eletrônico. A adoção de palestras ou eventos educativos com temáticas relativas ao descarte desses materiais por meio da reciclagem e também dos problemas gerados pelo consumismo permitira uma conscientização melhor da sociedade.