O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 14/08/2021
O filme ”Wall-e” conta a história de um robô deixado na Terra para limpar o lixo humano, isso porque os cidadãos que habitavam o planeta produziram tanto lixo que tornou a atmosfera terrestre tóxica devido aos gases poluentes oriundos dos dejetos da humanidade. Fora da ficção, o lixo em uma sociedade consumista ainda é um problema, e possuem como causas a negligência estatal e o consumo exacerbado.
Em primeiro plano, constata-se a débil ação do Poder Público como um dos obstáculos no combate do lixo na sociedade do consumo. Nesse sentido, o filósofo iluminista Rousseau, em sua teoria contratualista, discorre acerca do dever do Estado em ofertar os direitos básicos dos cidadãos. No entanto, tal perspectiva não se faz presente no contexto brasileiro. Prova disso é a escassez de políticas públicas satisfatórias voltadas para atenuar o lixo em um corpo social consumista. Isso é perceptível pela baixa campanha na conscientização acerca dos impactos negativos provenientes do lixo, tais como a emissão do gás metano, que é agressivo à atmosfera e um dos responsáveis pelo aquecimento global. Assim, infere-se que nem mesmo o Poder Público foi capaz de garantir o combate contra à problemática.
Ademais, o consumismo realizado pela coletividade contribui para a complexidade do problema. Nesse contexto, o conceito de “sociedade do consumo” se torna bastante útil, pois é um termo utilizado para designar a sociedade que se caracteriza pelo consumo massivo, uma causa latente na questão do lixo. Sob essa ótica, uma comunidade marcada pelo capitalismo, um sistema de produção que objetiva a fabricação de mercadorias e a obtenção desses produtos de forma cada vez mais intensa, induz na formação de um povo com tendências compulsivas. Desse modo, o consumismo agrava a questão do lixo, visto que ao comprar de maneira exagerada repetidamente, gera-se um ciclo de compra e descarte, e consequentemente um aumento na produção do lixo.
Portanto, estratégias são necessárias para combater o lixo no Brasil e a sociedade de consumo. Para isso, o governo federal deve criar, por meio do Ministério da Educação, um projeto com campanhas educativas sobre os efeitos prejudiciais ao meio ambiente decorrente dos materiais descartados, a fim de orientar a população dos males que o lixo pode ocasionar no planeta. Essas campanhas serão transmitidas por intermédio de meios de comunicação de grande alcance, como a televisão, para que um grande número de pessoas se conscientize sobre o lixo e suas sequelas nocivas. Assim, o filme “Wall-e” continuará sendo apenas uma realidade ficcional.