O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 29/08/2021

A partir do século XIX, com a instauração do modelo capitalista advindo da Revolução Industrial, o fenômeno da globalização começou a demonstrar seu impacto sobre o mundo ocidental, evidenciando a crescente necessidade pelo consumo de produtos que, por diversas vezes, são adquiridos apenas para satisfazer o ego do consumidor que é bombardeado pelo marketing desse produto. Assim sendo, esse consumismo exacerbado consolidou, além de um forte efeito psicológico nos consumidores, um nocivo ciclo do lixo, tanto para a sociedade, quanto para o meio ambiente.

Segundo os principais teóricos da Escola de Frankfurt, Adorno e Horkheimer, com a sua tese da Indústria Cultural, a sociedade ocidental ficou refém da razão instrumental. De acordo com o conceito frankfurtiano, a razão instrumental se refere ao estágio onde a humanidade parou de usar seu intelecto para reflexão e passou a utilizá-lo para a produção de ferramentas que visem submeter a natureza e os demais homens à sua própria vontade.

Desse modo, um dos meios mais efetivos de atingir tal objetivo seria justamente tornar o indivíduo alheio quanto aos produtos que ele consome e, dessa forma, a Indústria Cultural sintetiza os problemas sociais acarretados pelo tal consumo inconsequente. Além disso, tal consumo desenfreado sentencia a natureza ao problema de dejetos que, a longo prazo, poderão destruir fauna e flora com efeitos ambientais que podem ser irreversíveis, devido a sua grande quantidade e capacidade de liberar substâncias tóxicas como o monóxido de carbono, que atualmente é o principal agente poluidor atmosférico que a humanidade tenta manter sob controle.

Dessa maneira, é perceptível que o problema do lixo já se tornou algo que só o Estado não é mais capaz de resolver por si só, sendo necessário a colaboração da sociedade civil. Urge, portanto, uma campanha governamental e midiática que visem, além de promover medidas ecológicas básicas como reciclagem e a separação de lixo de acordo com sua natureza, também pregar a importância que o consumo inteligente e a doação de artigos ou a própria revenda têm para combater a questão consumista e o consequente lixo. Assim, a sociedade se tornaria, gradualmente, mais responsável ecologicamente e socialmente com para a questão do consumo excessivo e do lixo.