O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 16/08/2021

No livro “A peste”, do escritor francês Albert Camus, é descrito a vida de uma cidade após serem atingidos por uma doença proliferada por ratos, ocasionada pela falta de serviços fundamentais a comunidade, como a coleta de entulhos. Fora da ficção, a realidade exposta não difere a presente na atualidade, tendo em vista os impactos do excesso de lixo para o meio ambiente brasileiro. Por esse motivo, é evidente que tanto a desigualdade social, quanto o descaso governamental apresentam-se como entraves para a resolução da problemática. Nesta situação, urge a necessidade de serem tomadas atitudes pelas autoridades competentes, com o objetivo de reverter o cenário.

Em primeiro lugar, é importante abordar que as diferenças sociais evidenciam razões pelas quais o problema perdura. Sob essa óptica, de acordo com o filósofo Pierre Levy “Toda tecnologia cria seus excluídos”, sendo tal exclusão associada a refutável ausência de locais adequados para o descarte do lixo presente na conjuntura atual, impactando principalmente as classes minoritárias e de áreas de desprezo público, já que esses resíduos ficam ao ar livre perto de moradias, ocasionando enfermidades e mal-estar. Dessarte, a lacuna da acessibilidade a este serviço básico traz inúmeros transtornos ao corpo social, resultando na má qualidade de vida dos indivíduos e da natureza.

Ademais, vale postular que a negligência estatal se mostra relevante na permanência da temática, posto que o poder atua como uma instituição zumbiconceito desenvolvido pelo filósofo Zygmunt Bauman- desse modo, mantendo seu aspecto, contudo, não exercendo sua função que deveria ser assegurar o ecossistema e os seres que o habitam. Todavia, segundo o Panorama de Resíduos Sólidos, o Brasil gerou mais de 80 milhões de toneladas de lixo em 2019, degradando o ambiente e afetando mares, uma vez que a fauna marinha ingere esses objetos despejados de forma irresponsável ao mar. Destarte, é inadmissível que o estado contribua para que ocorra esta situação.

Logo, em virtude dos fatos mencionados, surge a indispensabilidade de gerar métodos que intervenham na questão das consequências da excessiva quantidade de lixo para o sistema ecológico brasileiro. Nesse âmbito, cabe ao governo, como instância máxima de administração, com o Ministério do Meio Ambiente, gerar maiores projetos ambientais, criando ações ambientalistas por meio da reciclagem, retirando os produtos das áreas afetadas, de modo a retroceder tais condições, assim visando o reaproveitamento e a restauração holocenose. Por conseguinte, estabelecer uma sociedade com menos impactos diante ao tema, contrastando-se com a descrita na obra de Camus.