O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 17/08/2021
Com a chegada da Revolução Técnico-Científico-Informacional, as mercadorias se desenvolveram amplamente — sobretudo pela grande quantidade de investimentos nessa área. Todavia, tais produtos se mostraram um perigo devido ao consumismo, o que gerou uma necessidade do consumidor voltar a adquirir rapidamente novos produtos, além do excessivo volume de lixo. À luz desse enfoque, torna-se fulcral ressaltar que essa perversa realidade tem raízes na inoperância estatal e no sistema capitalista.
Diante desse cenário deletério, cabe salientar a indiligência governamental no espectro brasileiro. Nesse viés, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, algumas instituições, na pós-modernidade, configuram-se como zumbis, pois largaram suas respectivas incumbências sociais. Dentro dessa lógica, é possível observar que o Ministério do Meio Ambiente se tornou uma corporação zumbi, dado que não apresenta êxito perante as ações e políticas públicas. Isso é perceptível, lamentavelmente, seja pela carência de campanhas de conscientização acerca da necessidade de reciclagem dos dejetos devido ao limite de recursos naturais do território brasileiro, seja pelo pouco espaço destinado nas escolas ao debate sobre o consumo em massa de ítens supérfluos. À vista disso, infere-se que a ineficácia da máquina administrativa estatal inviabiliza ações concretas que resolvam o tema e catalisa o acúmulo de lixo por meio da aquisição exagerada de produtos pelos cidadãos brasileiros.
Além dessa mácula governamental, também são preocupantes, no cerne da contemporaneidade, as origens e consequências do capitalismo. De certo, mediante aos dogmas do sociólogo prussiano Karl Marx, o sistema capitalista estimulou o consumo através do fetiche sobre a mercadoria, isto é, essa estrutura construiu a ilusão de que a felicidade seria encontrada a partir da compra de um produto. Com efeito, é indubitável que, infelizmente, há uma simetria entre essa teórica ação alienadora e a realidade, haja vista que os brasileiros banalizaram o consumo em massa de produtos glamourizados pela mídia capitalista, o que gerou frutos como o aumento do descarte indiscriminado de lixo, fato comprovado por comparações dos últimos cinco levantamentos do IBGE. Isso posto, depreende-se que a estrutura capitalista, que possui somente foco no lucro, tornou-se uma chaga no Brasil, porquanto, enquanto o consumismo for normalizado, o acréscimo no volume de lixo irá se perpetuar no país.
Assim, o Ministério do Meio Ambiente deve fazer nas escolas debates sobre o consumo em massa de ítens supérfluos e seus prejuízos na sociedade, além de campanhas de conscientização acerca da necessidade de reciclagem dos dejetos, por meio de mídias de ampla abrangência, como blogs em redes sociais, a exemplo do Instagram e do Facebook, a fim de fazer com que a população recicle seu lixo. Espera-se, com isso, que os males da revolução industrial não se reverberem pelo Brasil.