O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 02/09/2021
A novela “Avenida Brasil” tem como cenário cinematográfico um dos maiores emblemas da sociedade brasileira: os lixões a céu aberto e a má gestão do lixo. Com isso, tal obra espanta os telespectadores com as toneladas de lixo fruto tanto do consumismo, quanto do descaso social com a reciclagem e a reutilização. Nessa perspectiva, é imprescindível postular os desafios encontrados pelas instituições governamentais na resolução dessa problemática e os impactos ambientais gerados por ela.
Precipuamente, é indubitável que o tratamento de lixo é uma questão econômica e estrutural. Partindo desse pressuposto, apesar do Estado ter decretado a Política Nacional dos Resíduos Sólidos em 2010 para fechar todos os lixões até 2014, 38% da população brasileira não acesso devido ao descarte do lixo e 1559 cidades ainda usam lixões, segundo dados da Globo. Com efeito, o antagonismo supracitado ocorre em decorrência da falta de recursos e de infraestrutura de alguns municípios, haja vista que a implementação de lixões é mais rápida, fácil e barata. Contudo, esse método agride não só o meio ambiente, como também a saúde, visto que emite gases poluentes e agravadores do efeito estufa, libera chorume, o qual penetra o solo e contamina os lençóis freáticos, e prolifera doenças.
Ademais, é lícito que há uma linha tênue entre o atual consumismo e o aumento do volume de lixo. Em consonância com o documentário “Mentes minimalistas”, o tecido social vigente consome serviços e produtos de forma exagerada e com exploração excessiva de recursos naturais, assim, a pegada ecológica ambiental alerta que a velocidade de consumo da população é maior do que a da reposição da natureza. À luz dessa conjuntura, a obsolescência programada, manobra capitalista para diminuir o tempo útil dos produtos, incentiva o constante descarte de aparelhos eletrônicos. Por conseguinte, depreende-se que esse mau hábito aumenta a quantidade de lixo eletrônico, o qual é dificilmente tratado nos lixões e libera metais pesados no solo.
Infere-se, portanto que o cenário visto na “Avenida Brasil” deve ficar apenas no entretenimento brasileiro, para tanto, o Estado deve fomentar as empresas privadas e de tecnologia, por meio da emissão de incentivos fiscais, à adotar a logística reversa, isto é, reciclagem de material industrial, a fim de transformar o lixo eletrônico em novos aparelhos. Outrossim, os governos municipais, mediante a parceria com o capital privado, deve instaurar termoelétricas que usam os resíduos para produzir energia e produzir biogás, com o intuito de repartir os gastos na instalação de aterros sanitários.