O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 07/09/2021
A obra cinematográfica “Wall-e” descreve, em um futuro distópico, a consequência do comportamento consumista observado na sociedade atual: o acúmulo de lixo no planeta terra leva os seres humanos a lançar os resíduos no espaço, e, além disso, a deixar de viver nos centros urbanos para viver em naves, já que estes estão tomados pelos descartes do consumo inconsciente. Fora da ficção, é fato que os hábitos de compra, no Brasil, são compatíveis com a realidade descrita na obra cinematográfica, devido, principalmente, à priorização de interesses financeiros em detrimento da sustentabilidade e, também, devido à lacuna educacional sobre o tema. Portanto, urge debater sobre o cenário atual a fim de garantir mudanças.
Em primeiro lugar, vale apontar que os valores sustentados pela sociedade capitalista são uma causa latente da problemática. Isso ocorre, pois, a busca incessante pela lucro implica na manutenção de um mercado consumidor, que é motivado a comprar constantemente, devido à criação de produtos que tiram o valor dos anteriores, mantendo um ciclo entre consumo e descarte, sem considerar a insustentabilidade desse comportamento. Nesse sentido, o filósofo Karl Marx, por meio da frase “tudo que é sólido, desmancha no ar”, traduz a inconstância do valor dos produtos no meio capitalista devido a necessidade de garantir o lucro. Assim, é possível notar que hábitos sustentáveis devem ser implementados na sociedade, para findar esse ciclo insustentável.
Ademais, em segundo lugar, é válido observar que a falta de discussão sobre a relação entre consumo e lixo, nas escolas, também é uma causa da manutenção do consumo inconsciente no Brasil. Nesse contexto, o filósofo moderno Kant disserta que o homem é produto da educação que recebe, ou seja, a mudança no comportamento social deve ser feita pela conscientização. Por isso, percebe-se a necessidade da inclusão de palestras e discussões sobre consumo aliado à sustentabilidade na base curricular de ensino brasileira, a fim de formar cidadãos mais conscientes.
Em suma, infere-se que, cabe ao poder executivo municipal promover a coleta seletiva de lixo, por meio da contratação de agentes sanitários que se responsabilizem, tanto por destinar a coleta à setores que reaproveitem os descartes, quanto por alertar os cidadãos de seu papel nessa ação que visa diminuir o volume de lixo descartado. Além disso, é preciso que as escolas realizem palestras para conscientizar os pais e alunos da importância do consumo consciente e seu papel ecológico; já que só assim será possível evitar o futuro distópico descrito em “Wall-e”.