O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 13/09/2021

A obsolescência programa é um método adotado pelas grandes indústrias e empresas, a qual cria a necessidade do consumo incessante. Todavia, esse processo tem como consequência a geração abundante de lixo, intensificados pela negligência estatal à respeito desses resíduos e a falta de conscientização da população.

Primeiramente, é primordial destacar que a má gestão do lixo deriva da ineficácia do poder público, nos quais concerne a criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Sob a perspectiva do filósofo contratualista John Locke, o estado foi criado em razão de um pacto social para assegurar a organização e harmonização da sociedade e das cidades. Entretanto é notório o rompimento desse contrato no cenário do lixo na sociedade brasileira, visto à baixa atuação das autoridades, fazendo com que ocorra poluição atmosférica, hídrica, do solo e visual. Por exemplo, conforme o site Vgresíduos, 6,3 milhões de toneladas de resíduos sólidos tem destinação final inadequada, acentuando assim, a poluição. Assim, fica evidente a ineficácia da máquina administrativa na resolução dessa situação caótica.

Em segundo plano, há a falta de conscientização da população, a qual consume excessivamente, aumentando a produção de lixo. O “fetiche da mercadoria” estudado pelo filósofo e sociólogo Karl Marx, é caracterizado pela alienação do corpo social com os produtos advindos da industrialização, ocultando as relações de produção e de destinação do produto após a compra. Logo, devido à alienação e, dessa maneira, a vontade constante de consumo, o indivíduo é responsável pela geração desnecessária de resíduos. Isso é notório ao analisar o estudo do Serviço de Proteção ao Crédito e da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas, os quais afirmam que cerca de 3 a cada 10 brasileiros consideram as compras como o lazer favorito, assim demonstrando o poder do fetiche da mercadoria.

Logo, para a resolução da questão do lixo no Brasil, cabe ao Congresso Nacional, por meio de uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias, aumentar os investimentos à destinação do lixo, a fim de obter um território livre de poluição devido à boa gestão. Cabe também ao Ministério da Educação, responsável pela formação primária até a superior, por meio de palestras e projetos interativos, desincentivar o consumo desenfreado, a fim de garantir adultos conscientizados. Somente dessa maneira, será possível ter um Brasil limpo e sustentável.