O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 18/09/2021

Tóxico. Essa foi a palavra escolhida pelo famoso dicionário Oxford para o ano de 2018. De fato, o termo esteve presente nas discussões sobre a saúde global e do meio ambiente nos últimos anos, tendo em vista os esforços do Brasil e de grandes potências para diminuir os impactos ambientais provenientes do consumo humano - a exemplo, o impacto causado pelo uso excessivo de plástico e pela obsolescência programada de aparelhos tecnológicos. Sob tal ótica, os impactos ambientais do consumo no Brasil contemporâneo são inconcebíveis e merecem um olhar mais crítico de enfrentamento.

Em primeiro plano, a poluição plástica é uma das principais causas atuais de danos ao meio ambiente e à saúde humana. Segundo a ONU Meio Ambiente, a produção e descarte incorreto de plásticos não param de crescer, demonstrando um alto índice de consumo desse material em todo o planeta. Nesse contexto, frente as implicações ecológicas negativas, como as 8 milhões de toneladas de plástico nos oceanos a cada ano, levando 100 mil animais marinhos à morte, conforme dados da Organização das Nações Unidas, convém ressaltar a importância de somarmos esforços para preservar a vida marinha.

Ademais, a obsolescência programada é considerada o motor secreto da sociedade de consumo, porquanto incentiva a aquisição de novos produtos e o descarte daqueles já obsoletos em curtos períodos de tempo. Nesse sentido, a redução do ciclo de vida útil dos aparelhos eletrônicos gera um crescimento exponencial de resíduos eletrônicos, que ao não obterem destinação adequada podem causar sérios danos ao meio ambiente, tendo em vista o uso de metais pesados altamente tóxicos na composição de equipamentos, tais como celulares e computadores. Com isso, tal lógica, além de ser abusiva, corrobora para a violação do direito fundamental ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, previsto na Constituição de 1988.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater tal problemática. Para tanto, o governo, em conjunto com a sociedade, devem implantar um plano nacional de combate ao lixo, onde serão realizados, semestralmente, mutirões de limpeza nas praias, a fim de diminuir a quantidade de lixo descartado nesse ambiente. Alia-se a isso a educação ambiental em prol da sustentabilidade, que deverá ser implementada na grade curricular dos ensinos fundamental e médio das escolas públicas, com intuito de ajustar padrões de consumo e garantir um meio ecologicamente equilibrado para as gerações futuras, conforme preceitua o texto constitucional brasileiro. Só assim a sociedade poderá, enfim, desintoxicar o meio ambiente.