O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 22/09/2021

A Primeira Revolução Industrial, ocorrida no final do século XVIII na Inglaterra, foi um marco no que se refere ao início do consumismo exacerbado e à produção exagerada de bens. Não obstante desse cenário, depreende-se como a cultura do consumo na sociedade está diretamente ligada à produção de lixo. Nesse contexto, é válido comentar como o excesso de resíduos da população deriva de um sistema que baseia suas premissas no materialismo desnecessário e causa, por conseguinte, constantes agressões ao meio ambiente.

Em primeira instância, é imperativo destacar a influência da filosofia capitalista nas pessoas e como esses ideais distanciam o ser humano de um estado de equilíbrio. Segundo Diógenes, notório filósofo grego adepto do pensamento filosófico hoje conhecido como Cinismo, o desapego aos bens materiais proporciona aos cidadãos a ataraxia, ou seja, uma forma de viver baseado na felicidade e tranquilidade. Nesse viés, nota-se como o vício da aquisição de bens é um fator elementar para o desequilíbrio e instabilidade dos indivíduos, o que gera não apenas danos exclusivos a um certo sujeito, como também a todo um corpo social e seus respectivos espaços de habitação.

Outrossim, é oportuno comentar as consequências das grandes quantidade de lixo produzidas a partir do modelo de consumo vigente hodiernamente. Segundo a USP, Universidade de São Paulo, a grande maioria dos aterros sanitários brasileiros não possuem mecanismos e aparatos tecnológicos para fazer a devida separação do gás metano, um dos principais causadores do efeito estufa, na decomposição de matéria orgânica. Nessa pespectiva, ocorre a livre dispersão dessa substância na atmosfera, o que impacta significativamente em alterações climáticas globais. Dessa forma, é notório como uma ideologia de consumismo, aliada à poluição gerada por esse mesmo tipo de pensamento, provoca impactos, como o próprio aquecimento global, que desencadeiam todo um desequilíbrio ambiental no planeta.

Destarte, em vista dos fatos supracitados, urge a necessidade do governo, por meio de uma parceria com ONGs, Organizações Não Governamentais, de caráter social, elaborar um programa que vise dispersar conhecimento, especificamente nas redes sociais, a respeito da separação de resíduos na casa do cidadão brasileiro, com o intuito de que ocorra processos de reciclagem e, concomitantemente, diminuição do desperdício e contaminação da natureza. Ademais, cabe ao Ministério da Educação, mediante parcerias com instituições educacionais, criar um projeto para educar e auxiliar as pessoas no que tange às ações ecológicas desde a mais tenra idade, a fim de que cenários como os da Revolução Industrial se perpetuem apenas pelas suas contribuições à sociedade.