O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 28/09/2021
Gregório de Matos, poeta luso-brasileiro, ficou conhecido como “Boca do Inferno”, por denunciar, de maneira ácida, os problemas que assolavam o século XVII. Sob esse viés, talvez, hodiernamente, ao se deparar com a sociedade de consumo e o aumento exacerbado de lixo no Brasil, o autor produziria críticas a respeito, uma vez que essa realidade reflete o desrespeito e o ínfimo valor da população com o meio ambiente, assim evidenciando uma grave mazela social que precisa ser erradicada. Portanto, é mister anuir que influência da Indústria Cultural nos comportamentos dos sujeitos, adjunto ao descaso do Governo com a situação vigente, são os fatores responsáveis pela cristalização desse revés.
Em primeira instância, é fulcral assentir que a situação contemporânea do Brasil, caracterizada pelo aumento exponencial do lixo e desdém com o meio ambiente, ocorre em razão da sociedade consumista. Nesse contexto, é notório que as práticas consumistas dos requisitos são condicionados por uma ideologia que provém da Indústria Cultural, a qual segundo os filósofos Adorno e Horkheimer, promove um pensamento ilusitório, o qual instiga como pessoas a comprarem diversos produtos, prometendo felicidade e satisfação ao adquirir esses bens, todavia, tudo não passa de uma mentira usada para alienar os cidadãos e os forçarem a adquirir como produtos de maneira obsessiva. Destarte, é verídico que para melhorar o cenário atual impende extinguir o consumismo presente no meio social, a fim de coibir danos a natureza e, consequentemente, corroborar com a harmonia coletiva.
Em segunda análise, urge ratificar que o poder público se torna responsável pelo cenário excruciante, tendo em vista que, ao não se mobilizar para combater o empecilho, ele se tornou complacente. Dessa maneira, contribuindo para o progresso dessa adversidade na sociedade, ignorando sua obrigação com o povo brasileiro de garantir o bem-estar coletivo, além de não respeitar e valorizar o meio ambiente, o qual vem sendo acometido pelo intenso fluxo de lixo oriundo do consumo demasiado das pessoas. Sob essa óptica, impende atribuir ao Estado o conceito de “Instituição Zumbi”, o qual foi criado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, para definir as instituições que não cumprem com suas funções e, no entanto, mantém sua forma. Logo, é evidente a necessidade de medidas para reverter a situação.
Dessarte, para evitar um cenário semelhante ao século XVII, o qual era vítima das críticas de Gregório de Matos, far-se-á que o Governo, enquanto a instância máxima da administração executiva, promova uma campanha conscientizadora, a qual elimine do corpo social a influência da Indústria Cultural, além de atenuar o consumo desnecessário, mediante uma parceria com os principais meios de comunicação, para atingir todos os setores da população. Desse modo, reduzindo o aumento exponencial do lixo, preservando a natureza e corroborando a harmonia comunitária.