O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 29/09/2021
A partir da Revolução Industrial, iniciada no século XVIII, os moldes globais de consumo foram modificados ao incorporarem a constância da compra. Porém, como consequência, tem-se o aumento do lixo e da mentalidade consumista, ocasionando impactos ambientais e entraves socioeconômicos.
Em primeira análise, é válido ressaltar que o consumo humano não convive de maneira harmoniosa com o meio, o que compromete o equilíbrio natural e resulta no acúmulo de lixo e na modificação da paisagem. Ao perceber tal fato, o químico Paul Crutzen criou o termo Era Antropoceno a fim de designar a força geológica destrutiva do homem atual sobre a natureza. Assim, percebe-se que o desenvolvimento das sociedades foi acompanhado por intensas alterações ambientais geográficas.
Além disso, vale também salientar que a maioria do lixo ainda teria vida útil. Com isso, o desperdício apresenta caráter socioeconômico, uma vez que a obsolescência programada, ou seja, a rápida substituição de um produto por outro, não acompanha a renda da população. Tal análise social foi verificada no documentário Lixo Extraordinário, o qual retrata a vivência do artista Vik Muniz com os indivíduos responsáveis por coletar e reutilizar o lixo - dando, de certa forma, uma nova vida ao que antes era inútil. Fica claro, então, como os vícios de compra refletem os moldes econômicos excludentes da sociedade.
Portanto, nota-se a importância de desenvolver medidas efetivas para a superação dos moldes consumistas e do acúmulo de lixo. Com esse fim, o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com as prefeituras, pode ampliar as obras de aterros sanitários que visem o destino correto dos excedentes. Além disso, a escola, como instituição formadora do indivíduo, deve propor aulas interdisciplinares, com professores de sociologia e biologia, a fim de demonstrar a consequência do consumo excessivo para a sociedade. Com tais medidas, a Brasil poderá ser um país mais limpo e consciente.