O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 01/10/2021
Na animação Wall-E, o espectador se depara com um planeta degradado pelo lixo advindo do consumo exagerado. Porém, embora os prejuízos do consumismo sejam ilustrados com frequência nessa e em muitas outras produções culturais, ainda são encontrados obstáculos para a promoção do consumo consciente no Brasil, como a associação dos produtos à felicidade e a falta relação desse tema a impactos ambientais por parte da população, as quais devem ser combatidas.
Em primeiro lugar, percebe-se que as mercadorias são vistas e representadas amiúde como promotoras de uma vida feliz. Isso é retratado no livro ‘’Fahrenheit 451’’, do escritor Ray Bradbury, por meio das atitudes da esposa do protagonista: apesar de ter recentemente comprado um aparelho eletrônico, ela se vê insatisfeita e alega precisar de mais produtos para atingir a felicidade. Esse tipo de pensamento, no entanto, é problemático, porquanto fomenta o consumo insaciável e, consequentemente, dificulta a adoção de uma postura frugal pela sociedade, que continua a comprar de forma desregrada.
Além disso, outro fator que serve de entrave para a adoção do consumo consciente é a dificuldade da população de relacionar esse ato ao meio ambiente. De fato, segundo a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, apenas 11% da população correlaciona o ato de economizar ao cuidado com a natureza, enquanto a maioria pensa que o consumismo é meramente uma questão financeira. Por conseguinte, a frugalidade é desvinculada do grupo das responsabilidades éticas e morais, o que reduz, aos olhos do indivíduo, a importância de adotá-la, uma vez que cria-se a aparência de que seus impactos atuam somente na carteira, e não na preservação do meio ambiente e no bem-estar social.
Portanto, para que sejam combatidos os entraves na promoção do consumo consciente, é necessário que influenciadores digitais contribuam na redução do fetichismo da mercadoria por meio da constante afirmação, nas redes sociais, de que o consumo não traz felicidade, o que diminuirá a intensidade desse tipo de pensamento. Além disso, cabe às instituições de ensino exibir filmes que retratem o consumismo e seus impactos, como Wall-E, e em seguida promover debates visando à formação de um pensamento crítico sobre o consumo, que o relacione com o meio-ambiente. Dessa forma, a o cenário brasileiro distanciar-se-á daquele visto na animação distópica