O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 01/10/2021

“O mundo vai girando cada vez mais veloz, a gente espera do mundo e ele espera de nós um pouco mais de paciência”. Assim, baseado no trecho da canção de Lenine, infere-se que a sociedade de consumo prioriza o viés econômico em detrimento do desenvolvimento sustentável. Tal conjuntura culmina no perecimento do meio ambiente devido ao esgotamento dos recursos naturais e ao acúmulo de lixo.

Sob essa perspectiva, segundo o filósofo Theodor Adorno, a Indústria Cultural atua na massificação e na comercialização de interesses. Por conseguinte, o “Fetichismo da mercadoria” induz o indivíduo ao consumo de itens frívolos como pressupostos para o convívio e a aceitação social, em que se prioriza a lógica da novidade, em vez da lógica da necessidade. Nesse viés, há a “Obsolescência programada”, na qual a vida útil das matérias-primas é reduzida com o objetivo de fomentar a aquisição de novos produtos, o que favorece o descarte dos objetos e o acúmulo de lixo.

Outrossim, no documentário “Oceano de plástico”, exibido na plataforma Netflix, nota-se os impactos da intervenção antrópica no meio natural, visto que se tem a formação das “ilhas” de resíduos plásticos devido ao descarte inadequado e ao descaso ambiental. Ademais, no Brasil, foi estabelecida uma PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos), que pretendia acabar com os lixões a céu aberto. Contudo, esses ainda são realidade no território nacional e contribuem na disseminação de doenças, como a leptospirose e a dengue, nas enchentes, devido ao entupimento de bueiros, e na contaminação dos lençóis freáticos, causada pela infiltração do chorume no solo.

Logo, é notória a interferência da sociedade de consumo no meio natural. Dessa forma, faz-se necessária a atuação do Ministério da Saúde, da Educação e do Meio Ambiente, em conjunto com os mecanismos de proteção ambiental, como a AIA (Avaliação de Impacto Ambiental), no fornecimento de saneamento básico à população e na efetivação das jurisdições previstas na PNRS. Tais ações podem ser consolidadas por intermédio da coleta seletiva do lixo, de palestras que visem incentivar o consumo consciente e da construção de aterros sanitários. Assim, haverá uma maior seguridade ambiental e social e uma gestão efetiva dos resíduos sólidos no território nacional.