O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 03/10/2021
“A indiferença, muitas vezes, causa mais danos do que a aversão direta”. A frase de Dumbledore, na saga Harry Potter, faz alusão à importância de se discutir a problemática do lixo, já que a indiferença social no assunto pode agravar esse quadro brasileiro. Isso se deve em razão falta de planejamento governamental, o que causa o acúmulo de lixo no Brasil.
Primariamente, vale ressaltar o papel do governo no planejamento das políticas públicas. Conforme o filósofo Rousseau, o Estado é responsável por promover o bem-estar social, inclusive na questão da higiene coletiva. Sob essa ótica, a realidade brasileira não se insere no modelo rousseauniano de sociedade, uma vez que, segundo dados do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil não utiliza essencialmente técnicas sustentáveis de reciclagem e de coleta de lixo, como aterros sanitários. Dessa forma, a deficiência de políticas públicas voltadas para a criação de tratamentos de lixo ecológicos geram o acúmulo desses itens no planeta.
Nesse viés, a questão da superprodução de restos orgânicos torna-se realidade. Na perspectiva do filme “Wall-e”, da produtora Pixar, o planeta Terra sofreu uma extinção em massa dos seres humanos, pois toda a crosta terrestre encontra-se dominada pelo lixo. Nessa instância, o produto dos efeitos negativos dos grandes “lixões” de céu aberto, presentes em grandes quantidades no Brasil, é semelhante ao do longa-metragem, tendo em vista o potencial de contaminação dos solos e das águas pelo chorume produzido. Dessa maneira, a negligência governamental, que promove a falta de políticas públicas eficázes, fomenta a escassez de coletas de lixo sustentáveis e saudáveis.
Portanto, faz-se imprescindível que o governo intervenha no problema. Desse modo, cabe ao Estado - agente ativo na tomada de decisões - melhorar a coleta seletiva pública, a fim de diminuir os impactos do lixo no território nacional. Assim, a meta far-se-á realidade por meio do uso de verbas provenientes dos impostos, que serão utilizadas na construção de aterros sanitários - formas mais ecológicas de reciclagem dos restos orgânicos. Nesse sentido, o corpo social brasileiro se distanciará do cenário de “Wall-e”.