O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 12/10/2021

Na série The 100, é retratada a realidade pós apocalíptica catastrófica da humanidade sujeitada a sobreviver no espaço após a poluição tornar a Terra insalubre de se viver. Fora da ficção, a realidade mundial se encontra em níveis preocupantes, em especial nos países com alto nível de desigualdade social, como no Brasil. A sociedade moderna e sua tóxica relação de substituição e descarte gera números abusivos de acúmulo de lixo, deve-se isto, principalmente, à relação de prestígio criada no consumismo exacerbado, além da falta de educação ambiental correta.

Em primeiro plano, é importante destacar que a cultura de valorização do consumo desenfreado tomou conta da sociedade moderna. De acordo com dados publicados pelo jornal eletrônico Agência Brasil, somente em 2019 foram descartados cerca de 2 milhões de toneladas de lixo eletrônico, condizente assim com os pensamentos do filósofo Zygmunt Bauman, que dizia a respeito do efeito da sociedade líquida sobre o mercado ter criado a “cultura do lixo”, fazendo com que o consumidor sufoque o produtor na cadeia consumista. Desta maneira, esclarecendo um fator gerador da problemática hodierna entre a sociedade de consumo e seus dejetos acumulados.

Outrossim, salienta-se a falha no hábito de descarte correto do lixo entre a população brasileira. Segundo informações do Ministério do Meio Ambiente, de todo o lixo produzido no Brasil, 30% possui potencial de reciclagem, porém apenas 3% é efetivamente reciclado. Ademais, o Portal Nacional de Educação analisa os baixos níveis de educação ambiental presentes nas escolas públicas brasileiras, onde apenas 15% delas realizam projetos educativos sobre o assunto. De acordo com a teoria de Habitus do filósofo Pierre Bourdieu, a educação é capaz de imprimir e moldar valores nos indivíduos, desta maneira, demonstrando a falha na base do problema causado pelo descaso governamental quanto aos investimentos educacionais.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para melhorar o impasse. Para que haja uma eficaz conscientização da população, urge que o Ministério da Educação crie projetos educacionais, por meio de oficinas quinzenais de reciclagem, celebradas em todas as escolas de nível básico e médio do país. Além disso, é necessário que o Ministério do Meio Ambiente produza propagandas televisionamento e cibernéticas com conteúdo de conscientização a respeito do consumismo exagerado, instigando o consumidor por meio de trocas ecológicas, como a utilização de bazares de vários tipos e o descarte correto do lixo eletrônico em troca de descontos em novos produtos. Somente assim, será possível iniciar o processo de uma sociedade mais sustentável.