O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 14/10/2021
Na obra “Ter ou ser?”, o sociólogo alemão Erich Fromm aborda a relação entre o valor sobre a posse de bens materiais e a construção do caráter do indivíduo. Hodiernamente, a necessidade do consumo tem sobressaído em relação às características particulares do homem na sociedade. Não obstante, nota-se que tal atitude afeta diretamente a formação do lixo no Brasil, seja pela influência da mídia e marcas publicitárias, seja pela carência da educação ambiental ainda persistente na sociedade brasileira.
Em primeira instância, é importante abordar sobre o poder de influência que a propaganda midiática tem sob o indivíduo, de forma a intensificar o consumismo. De acordo com os filósofos contemporâneos Adorno e Horkheimer, a perda da razão crítica é fruto da alienação da indústria cultural, que é responsável pela homogeneização da sociedade. Consoante a esse pensamento, marcas estimulam o consumo desenfreado afirmando que determinado produto é imprescindível ou “está na moda” e, por meio de influenciadores digitais, propagam a máxima de que para o indivíduo alcançar o perfil social ideal se faz necessário tal produto, uniformizando assim a população.
Ademais, a carência da educação ambiental associada a má formação do senso crítico dos jovens no âmbito das salas de aula promove danos ao meio ambiente no pré e pós consumo. Logo, a produção exacerbada de roupas e objetos resulta de gastos com matéria-prima e energia e, além disso, a falha institucional também corrobora com o descarte incorreto dos produtos, impossibilitando a coleta seletiva. Sendo assim, o lixo uma vez localizado em lixões, canais e/ou leitos de rios, por exemplo, provoca danos catastróficos, como a contaminação do solo e das águas, poluição e aparecimento de vetores de doenças. Contrapondo assim, o artigo 225° da Constituição Federal em que todos têm direito ao meio ambiente equilibrado, sendo responsabilidade tanto do Estado como da coletividade.
Urge, portanto, que para resolução dessa problemática, o Ministério do Meio Ambiente deve conscientizar a população por meio da propaganda nos veículos midiáticos ao alertar sobre o consumismo e seu impacto no meio ambiente, procurando evitar a longo prazo as consequências do acúmulo de lixo na sociedade. Além disso, o Ministério da Educação deve tornar obrigatória a educação ambiental nas salas de aula, promovendo a construção do senso crítico e ambiental de jovens e incentivando o descarte adequado dos produtos. Somente assim, os valores “ter” e “ser” e o meio ambiente entrarão em equilíbrio no contexto brasileiro.