O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 23/10/2021
O advento da Revolução Industrial, estimulada pelo capitalismo, tornou propício o consumo exacerbado e o aumento da produção de lixo. Embora vetusto, tal cenário ainda é pertinente, visto que a sociedade contemporânea é afetada por imbróglios no que se tange ao descarte excessivo e inadequado de detritos. Logo, tendo-se em vista que tais fatores são prejudiciais para o meio ambiente e a população, deve ser adotado um estilo de vida mais sustentável.
Em primeira análise, é importante pontuar que o desenvolvimento de novas tecnologias e produtos trouxe consigo inúmeros benefícios para a população. Entretanto, a mentalidade consumista, incentivada pelas empresas e indústrias interessadas apenas no lucro, é capaz de ultrapassar os limites da necessidade e gerar mais resíduos. Conforme dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, em média, 1 habitante descarta 1 quilograma de lixo diariamente. Esse dado é alarmante, haja vista a densidade da população tupiniquim. Nesse sentido, a melhor forma de amenizar esse impacto é a adoção do consumo consciente.
Por conseguinte, é indubitável que o descarte inadequado do lixo atua como um agravante nesse impasse. Embora existam métodos mais sustentáveis, o despejo do lixo é realizado primordialmente em lixões a céu aberto, onde a matéria orgânica entra em decomposição, simultânea à proliferação de micro-organismos patogênicos. Nesse contexto, torna-se possível a contaminação do solo e dos lençóis freáticos, além da propagação de doenças, como a cólera. Ademais, de acordo com a Abrelpe, 80% dos dejetos encontrados nos oceanos tem origem nas cidades. Por meio dessa estatística, é possível observar o grande impacto das ações humanas.
Além disso, segundo ideário do filósofo inglês Thomas Hobbes, o Estado é responsável pela garantia do bem-estar social. No entanto, é incontrovertível que a insuficiência das políticas públicas que disponham sobre o manejo adequado de lixo são um entrave para a efetivação desse direito. Dessa forma, é necessário investir em pontos de coleta, tratamento e armazenamento desses resíduos.
Portanto, o Estado deve investir em práticas sustentáveis de tratamento de lixo para que haja diminuição da poluição e preservação da natureza, além da prevenção de doenças causadas pelo consumo de água contaminada e proliferação de micro-organismos. Para criar um programa que possibilite o manejo adequado do lixo, deve aumentar os pontos de coleta seletiva, nos quais a população poderá trocar materiais em troca de bônus e pontuações que permitam descontos em impostos. Com o reaproveitamento do lixo, haverá diminuição do contingente de resíduos e a diminuição acentuada da poluição.