O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 25/10/2021
A degradação do planeta faz-se, principalmente, por um rompimento do tecido social. Isto é, a subversão da lógica de consumo em decisões emocionais e imediatista. Que, por sua vez, sedimentam o cenário alarmante de quantidades estratosféricas de lixo geradas nos grandes centros urbanos.
Em análise a isso, a substituição das dinâmicas de consumo devem-se, por essência, as transformações iniciadas pela Revolução Industrial. Fato é, que o enriquecimento das sociedades e a inserção de bens de consumo ao indivíduo comum, em uma fase posterior, moldaram a demanda a partir do desejo. Aliado a isso, o desenvolvimento da indústria da publicidade e propaganda que inseriram o sentimento e a experência como ferramentas de alavancagem dos produtos. Dessa forma, incutindo demandas desnecessárias e promovendo a obsolecência que nutre-se, sobretudo, da alienação e do imediatismo contemporâneo.
Em virtude disso, em referência aos conceitos do sociólogo Karl Marx sobre o consumo alienante, evidencia-se que o conforto emocional oriundo da distorção das relações de consumo tendem, por fim, à ocultar suas consequências e postergar suas elucidações. Provocando, por exemplo, a proliferação de doenças, alangamentos e inundações no período de chuva, contaminação do solo e dos lençóis freáticos- todos estes acarretados pelo descarte inadequado dos resíduos sólidos.
Por fim, valendo-se do reconhecimento da ineficácia do Estado no descarte do lixo, projetando um cenário de anomia social- descrita por Émile Durkheim- faz-se necessário o incentivo ao modal de reciclagem que, por sua vez, maximiza o valor das matérias-primas com o reaproveitamento e cria novos mercados. Além de desviar os resíduos de aterros ou outros tratamentos mais poluentes- sobretudo ao solo. O incentivo a essa dinâmica produz, por fim, uma maior consciência ambiental e, por consequência, um consumo responsável. Essa inciativa pode partir do desconto do IPTU para as moradias que contribuírem com essa prática.