O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 05/11/2021

No filme Wall-E, produzido pela Pixar, retrata um cenário marcado pela dominância mundial do lixo, advindo de um comportamento consumista da população. Do enredo fílmico para a realidade, evidencia-se uma forte aproximação ao contexto brasileiro, uma vez que a superprodução de lixo, proveniente de um consumo exarcebado, é um dilema para a harmonia social. Diante disso, torna-se necessário o debate acerca do lixo e da sociedade de consumo no âmbito nacional, problemática ocasionada não só pelo desmantelo governamental, mas também pela influência midiática.

Em primeiro, vale ressaltar que a omissão de uma postura estatal permite a insistência desse entrave na coletividade brasileira. Nesse sentido, atribui-se a quebra do Contrato Social de Hobbes, filosófo contratualístico, cujo denota que é dever do Estado interferir nas relações que causam desordem, à essa falha do gestor público. Nesse viés, a inexistência de um destino adequado para os descartes sólidos, como aterros sanitários, expõe a vulnerabilidade que acompanha esse empecilho, tendo em vista que a eliminação incorreta dos lixos traz consigo inúmeras consequências, tais como a poluição dos componentes naturais e o aumento dos vetores de doenças. Em suma, torna-se explícito o desacompanhamento estatal a esse entrave para a paz da ordem social, ainda que tenha projeções otimistas para o combate dessa questão, como a Política Nacional dos Resíduos Sólidos, porém persista a insuficiência das aplicações no cenário em que a produção de lixo é progressiva. Logo, desde que a superficialidade da máquina pública sobre o tratamento do lixo seja uma regra, a coesão social será uma exceção ao âmbito nacional.

Outrossim, é lídimo que os impactos midiáticos no comportamento do corpo social colabora para a configuração consumista atual. Nessa perspectiva, observa-se uma materialização do conceito de Indústria Cultural dos sociológos Adorno e Horkheimer-afirma que a mídia massifica a sociedade e perpetua caracteristicas para provocar o consumismo- visto que o bombardeamente constante de anúncios, como eletrodomesticos e aparelhos eletronicos, além de propagar o vinculo material a um status de capital, alimentando o caracter consumista da contemporaneidade. Dessa maneira, os meios de propagação da midia corrobora a ininterrupta produção de lixos em virtude das constantes aquisições materias do corpo social.

Infere-se, portanto, que medidas são imprescindíveis para reverter o panorama do lixo e da sociedade consumista no contexto brasileiro. Para tanto, urge ao Ministério do Meio Ambiente a efetivação do direcionamento dos resíduos, por meio da substituição dos lixões a ceu aberto por aterros sanitários. Paralelamente, cabe às identidades midiáticas reverter o consumo exarcebado