O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 05/11/2021

A Constituição de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 225 o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de zelar e preservar o mesmo para as futuras gerações. Entretanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase, na prática, quando se observa o gradativo aumento do lixo, influenciado, diretamente, pelo descaso estatal e o atual modelo produtivo capitalista, fazendo com que, o exacerbado e inconsequente consumo desenfreado dificulte, deste modo, a universalização deste direito social tão importante.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de infraestruturas governamentais que tencionem atenuar a constante produção de lixo, não só, mas, principalmente, nos grandes centros urbanos, devido ao alto índice de consumo. Nota-se, nesse sentido, a falta de interesse do Estado em criar políticas públicas para a segregação do lixo, visando o reaproveitamento do mesmo e a sustentabilidade para as próximas gerações. Essa conjuntura, segundo “O princípio da responsabilidade” de Hans Jonas, compromete a permanência humana na Terra, pois, ao se preocupar apenas com o presente, o futuro poderá deixar de existir.

Ademais, é fundamental apontar a obsolescência programada como um impulsionador do consumismo no país. O Brasil, é um dos principais produtores de lixo eletrônico da América Latina, gerando cerca de 1,5 mil toneladas de dejetos todos os anos, fato que, pontua o claro objetivo das indústrias, o lucro a partir do desenfreado consumo da população. Logo, devido ao excesso de material descartado, grande parte de forma incorreta, se tem a contaminação e a degradação do solo e da água, comprometendo recursos naturais de suma importância.

Infere-se, portanto, que a falta de políticas governamentais, o alto consumo e o descarte incorreto desses objetos, podem gerar inúmeros malefícios a sociedade. Por tanto, é imprescindível que o Ministério do Meio Ambiente, em conjunto com a sociedade brasileira, realizem movimentos para o descarte correto do lixo, objetivando a separação e a reutilização sustentável do mesmo. Além disso, deve-se realizar campanhas que visem a redução do consumo, amenizando, assim, o aumento de rejeitos no meio ambiente, de modo a evitar e reduzir os efeitos de precarização da natureza.