O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 09/11/2021

No filme da Disney “Wall-e”, é narrada a história de um robô vivendo no que seria o planeta Terra futuramente, no qual é mostrado todos os espaços repletos de lixo, poluição e quase sem condições da existência da vida. Analogamente, no cenário do Brasil contemporâneo, percebe-se que as condições insalubres em que os lixos são tratados, demonstram um grande risco do cenário fictício tornar-se realidade. Essa situação se deve, principalmente, por razões econômicas e falhas estatais.

Em primeiro plano, cabe mencionar o modelo de produção vigente como um colaborador da má condição do lixo no país. Isso, pois tais modelos influenciam as ações e consumo das massas visando apenas o beneficio financeiro. Sob esse viés, vale pontuar que com a adaptação da maneira de produzir, as indústrias colocaram o lucro acima de qualquer coisa, com estrátegias como a obsolência programada, em que os produtos já saem das fábricas com um prazo para se tornarem insuficientes e o consumidor precisar de outro. Com isso, note-se que a dinâmica do lixo fica muito mais intenso, haja visto a rotatividade com que os materiais são descartados sem um cuidado adequado. Logo, o estudo dos caminhos produtivos não podem ser negligenciados.

Ademais, a ineficácia estatal é outro agente que corrobora a problemática. Tendo em vista que é responsabilidade desse órgão qualquer infração contra o meio ambiente, levando em consideração a existência da Lei de crimes ambientais em suas organizações. Nesse sentido, é importante levar em consideração a citação do filósofo francês Montesquieu, em que ele menciona que o mais relevante em um país são as aplicações das leis, não apenas a existência delas. Por isso, fica claro que o país está indo de encontro ao falado pelo francês, a partir do momento que a Lei de crimes ambientais está na Constituição Federal, mas não é cumprida como deveria, podendo ser observado o terrível descaso com os dejetos.

Portanto, medidas são necessárias para diminuir a situação descontrolada do lixo. Para tanto, cabe ao Ministério do Meio Ambiente -órgão responsável pelo cuidado do espaço físico, seja ele rural ou urbano- elaborar o aumento da rigidez com as indústrias, por meio da obrigatoriedade do uso da maior quantidade de materiais biodegradáveis, em que se decomponham mais rápido, além de exigir delas a elaboração de um planejamento sustentável do processo dos materiais, visando assim, a diminuição da quantidade de lixo gerado nas fábricas. Dessa maneira, fazendo com que o cenário do filme se mantenha apenas na ficção.