O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 08/11/2021
Em 1516, o filósofo Thomas More ganhou grande notoriedade na literatura mundial com sua obra “Utopia”, na qual o autor cria uma ilha imaginária que se destacava pela falta de infortúnio, ou seja, um lugar perfeito, harmônico, sem poluição. Contudo, fora do parâmetro ficcional, observa-se que, infelizmente, essa fábula contrasta com o modelo social virgente, pois o combate ao acúmulo de lixo e ao desequilíbrio ambiental é um dos principais desafios enfrentados pelos países. Desse modo, é notório que fatores como o precário sistema educacional brasileiro, como também o posicionamento do Estado têm contribuído para esse cenário.
A princípio, nota-se que o modelo educacional brasileiro é conteudista, nesse sentido, mecanizado. Essa forma de ensino, segundo o educador Paulo Freire, estimula apenas a competitividade entre os estudantes. Dessa forma, o conceito de cidadania e participação social deixa a desejar na formação educacional dos jovens brasileiros, os quais, ausentes de uma educação que estimule o pensamento crítico, acabam, mutas vezes, sendo influenciados pelas mídias de massa que fomentam a ideia da busca da felicidade no consumo de bens duráveis, a estimular, assim, a compra de produtos sem necessidade e , consequentemente, a aumentar o acumulo de lixo e a degradação da natureza.
Em segundo plano, o posicionamento do Estado também cumpre papel relevante para o aumento de lixo, pois, após a crise de 1930, a grande depressão, iniciou-se uma política de descarte de bens de consumo, a obsolescência programada, que diminui a vida útil do produto em até 80%, a obrigar, assim, a compra de mais produtos. Nessa perspectiva, a maioria dos países capitalistas adotam esse padrão de degradação da natureza como um dos pilares para o desenvolvimento da economia. Esse fato, todavia, além de aumentar o acumulo de lixo, gera desigualdade social.
Fica evidente, destarte, a necessidade que indivíduos e instituições públicas cooperem para mitigar o acúmulo de lixo. Para isso, o Ministério da Educação deverá, junto às escolas, desenvolver projetos educacionais nos ensinos médio e infantil, como a semana do meio ambiente, com estudo de casos e peças teatrais que possam conscientizar os jovens sobre a importância da preservação da natureza para o futuro da sociedade, a mostrar, assim, as consequências do consumo desenfreado, com intuito de diminuir do desperdício e, consequetes, acumulos de lixo, além disso, o Ministério Público deverá fiscalizar os produtos vendidos para a população, a combater, nesse sentido, a pirataria com intuito de tirar de circulação produtos de baixa qualidade, a acabar, assim, com os produtos obsoletos.