O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 10/11/2021

O capitalismo fornece a falsa impressão de que tudo pode ser solucionado com dinheiro, porém, há algo que não pode ser resolvido completamente com esse poder aquisitivo: o lixo, não é possível anular os processos físico-químicos naturais da decomposição dos resíduos inorgânicos; plásticos, vidros e materiais eletrônicos, por exemplo, levam décadas e até séculos para se decompor por completo, e quanto à isso o dinheiro não tem nenhum valor. Dessa forma, os dejetos acumulados tornam-se um problema de caráter ambiental, público e econômico, em virtude dessa sociedade de consumo. Isso, na sociedade brasileira, decorre não só do consumismo exacerbado, mas também da alienação social.

Nessa linha de raciocínio, é evidente que o problema do lixo advém, majoritariamente, do consumismo. Nesse viés, analisando historicamente, entende-se como a verdadeira explosão do consumo durante a segunda revolução industrial, do século XIX, em que as indústrias, visando o acumulo de capital, desprenderam-se da monopolização produtiva e passaram a fabricar, em massa, os mais diversos objetos, desde utensílios de cozinha a produtos de lazer. Nesse sentido, aliado a mídia, as propagandas incentivam o consumo desenfreado de objetos, muitas vezes, triviais e desnecessários. Por conseguinte, a aquisição desenfreada e exacerbada desses produtos geram, temporalmente, um acumulo de resídios tão grande que as medidas de descartes não são suficientes para suprir essa demanda e acabam sucateadas e se tornam ineficientes.

Em paralelo, a falta de consciência ambiental e pública por parte da sociedade é um importante catalisador para a problemática. Atualmente, o descarte dos resídios, quando não clandestino e inapropriado, é realizado por meio dos aterros sanitários, que consiste basicamente na disposição do lixo correto em camadas em uma cavidade no solo. Dessa maneira, é necessário entender que cada resíduo tem a sua particularidade no descarte, por exemplo, baterias e eletrônicos devem ser separados do lixo geral e redirecionado para a reutilização das peças e garantia do manuseio correto, tendo em vista que esses materiais, em contato com o ambiente, libera gases tóxicos prejudiciais à saúde e meio ambiente. Sendo assim, o descarte incorreto de objetos de diferentes propriedades dificultam, ainda mais, o trabalho da coleta e seleção de lixo.

Portanto, visto os transtornos causados pelo acúmulo de materiais descartados, em virtude da sociedade de consumo, são necessárias medidas para frear essa problemática. Por isso, urge que o Governo, em parceria com a Mídia, alerte a população do problema do lixo no Brasil, através de além de propagandas, incentivando a reciclagem e reutilização de resídios, bem como o descarte adequado para cada, a fim de mitigar a problemática.