O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 15/11/2021
Na obra cinematográfica “Wall-E”, o planeta Terra é retratado como um lugar inóspito em que montanhas de lixo e uma atmosfera opaca e poluída toma conta do espaço físico antes ocupado pelos seres humanos. Para além do filme, o cenário brasileiro, infelizmente, não está distante: o consumismo desenfreado, presente na cultura nacional, e o inadequado descarte dos resíduos são causas centrais do quadro negativo atual. Desse modo, o Ministério do Meio Ambiente necessita promover mudanças para mitigar a crise do lixo.
Nesse contexto, faz-se necessário ressaltar o comportamento exacerbado do consumo e a precária destinação dos rejeitos. Segundo o sociólogo e filósofo Jean Baudrillard, vive-se em uma “sociedade de consumo”, uma vez que as relações sociais são baseadas, primordialmente, no ato de comprar, usar e descartar. Esse processo vicioso induz à alta produção de materiais desnecessários que, na maioria das vezes, não recebem uma adequada finalidade - por exemplo, os lixões. Somado a isso, mais de 40% do lixo gerado no Brasil fora eliminado incorretamente, conforme os dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais. Nesse sentido, o consumo dos cidadãos deve ser repensado para antigir anseios mais sustentáveis e coletivos.
Ademais, as negativas consequências ambientais e sanitárias foram suscitadas a partir da ação antrópica. Isso porque, por meio da Revolução Industrial, o mundo alterou seu modo de produzir, massificando, agora, os produtos consumidos. Todavia, o descarte adequado do lixo não acompanhou as devidas ações necessárias, espalhando, assim, no meio ambiente. Esse processo promoveu inúmeros impactos ecológicos, como a contaminação dos solos e de lençóis freáticos, e a produção de gases tóxicos, por exemplo, o metano. Além disso, a saúde da população sofre com doenças que são, naturalmente, adaptadas aos resíduos urbanos: a proliferação do Aedes aegypti - mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya - é um simples, porém danoso, exemplo. Logo, é essencial que essa temática seja debatida, visando um futuro equilibrado e saudável.
Dessa forma, a partir dessas considerações, é necessário que medidas sejam postas em prática para esclarecer os brasileiros dessa problemática. Portanto, com o objetivo de transformar o consumo consciente em uma realidade, o Ministério do Meio Ambiente deve promover uma campanha informativa, por meio das mídias - como a televisão, os jornais e as redes digitais. Assim, finalmente, a vivência brasileira poderá ser diferente do contexto apresentado em “Wall-E”.