O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 19/11/2021

A novela “Avenida Brasil” foi um grande sucesso da televisão brasileira, e chama atenção pelo cenário no qual a trama é desenvolvida, um lixão a céu aberto, o que é um fiel retrato da atual realidade brasileira, que se encontra submersa em lixo, em quantidades que crescem exponencialmente, consequência direta de uma modernidade que incentiva o consumo exagerado como mecanismo de manter a alta da economia e sem medir os impactos ambientais desencadeados.

Primeiramente, é válido destacar que o consumismo nada mais é do que fruto da combinação entre revolução industrial, que possibilitou a produção em massa, e do advento do capitalismo, que é a máxima expressão da valorização do lucro, ou seja, há o estimulo de novos consumos para que seja escoada essa grande produção e para que mais dinheiro seja injetado no ciclo de fabricação, e como possui essa grande funcionalidade no mercado financeiro, o consumismo passou a personificar a própria economia e por isso é tão incentivado na cultura de massas, através de vitrines, redes sociais e qualquer outro meio de comunicação capaz de pregar a vida de consumo como a ideal.

Em consequência dessa sociedade movida pela economia, há um aumento do descaso com as consequências ambientais, uma vez que as pessoas passam a ser estimuladas a comprar mais do que o necessário, gerando um grande aumento da quantidade de lixo, afinal, a aquisição de novos produtos pressupõem o abandono dos antigos, e com o estabelecimento da obsolescência programada, termo cunhado a partir de 1930, que se refere à prática de empresas produzirem mercadorias que se tornem rapidamente ultrapassadas para incentivar o consumo, a única saída é o descarte desses produtos, que vão cada vez mais se acumular e degradar a natureza.

Entende-se, portanto, que o consumismo é uma prática fomentada com o objetivo de custear a economia brasileira, sem se preocupar com as consequências ambientais do lixo que é gerado, e para reverter a situação é preciso frear o ímpeto de consumo da população tanto com campanhas de conscientização ao consumidor, elaboradas pelo Procon, quanto com a criação de uma legislação pelo governo, que criminalize a produção de artigos com obsolescência programada, e ainda que o ministério público reforce a fiscalização das leis vigentes que regulamentam o descarte correto do lixo, para que desse modo atenue os impactos desse na natureza.