O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 17/11/2021

Consoante dados do Instituto GEA - Ética e Meio-Ambiente, são coletados, diariamente, mais de 14 quilos de lixo na cidade de São Paulo. Nesse sentido, surge a problemática do lixo e a sociedade de consumo no Brasil. Por conseguinte, tal sentença mostra os aspectos negativos à sociedade, seja pelo descarte negligente, seja pelo consumismo. Dessa feita, é imperativa a ampliação de ações para mitigar tal impasse.

Em primeira análise, cabe ressaltar os descartes inconsequentes e as consequências advindas disso. No documentário ‘‘Estamira’’, a protagonista Estamira - idosa e catadora de lixo -, que, relata sua vida no atual Aterro Sanitário de Jardim Gramacho, o qual, recebia diariamente entulhos à céu aberto, lhe fazendo questionar o destino final de tudo o que ela encontrava no lixão, principalmente alimentos, e o  lixo que, em maiores quantidades, prejudicava a natureza. Similar ao documentário, a negligência sobre os resíduos despejados tem resultado negativo sobre o meio-ambiente, que, segundo denuncia a Folha de São Paulo, possui mais de 3 mil municípios com lixões à céu aberto. Assim, deve-se instituir ações para diminir essa conjuntura.

Em segundo plano, convém analisar a facilidade de troca. A exemplo, tem-se o curta-metragem ‘‘Man’’, que retrata seus personagens ávidos por consumir tudo o que lhes é apresentado pela televisão - alienação por meio de propagandas - , embora estejam com algo ‘’novo’’ em mãos, levando-os a descartar irresponsavelmente os produtos ‘‘antigos’’, formando uma pilha de dejeitos. Similar  à ficção, na vida real, a compra em massa é resultado de uma modernidade líquida, a qual, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, explica as atuais relações em que tudo é tratado de forma líquida, ou seja, não contém valor nem durabilidade. Por consequência, a obsolescência programada - mercadorias feitas para quebrarem -, faz com que os produtos se tornem inúteis ao consumidor, tornando-se lixo, e sendo abandonados inadequadamente, como exemplifica a Folha de São Paulo, que, em 2019, registrou mais de 29 milhões de descartes incorretos. Logo, medidas são necessárias para atenuar esse fato.

Evidencia-se, portanto, que há entraves quanto à produção em massa, tendo a liquidez como fator a ser combatido. Dessarte, urge ao Ministério do Meio-Ambiente, a implementação da coleta seletiva, por meio de verba própria, a qual seja fiscalizada e realizada pelos moradores, para que essa segregação reduza o quantitativo de resíduos despejados incorretamente, diminuindo o impacto ambiental. Assim como, o governo federal em parceria com a mídia deve disponibilizar campanhas de consumo consciente à população. Dessa forma, garantir-se-á redução do lixo e da sociedade de consumo no país.