O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 17/11/2021
O sociólogo francês Guy Debord, na obra Sociedade do espetáculo, afirma que no meio hodierno é necessário possuir bens materiais para se obter prestígio social. Nessa perspectiva, o panorama de ascensão social baseia-se no extremo consumo, como afirmado pelo pensador, e no Brasil observa-se um despreparo ao processo contemporâneo, em decorrência dos problemas associados ao acúmulo de lixo no território nacional, potencializados pelo descarte inadequado e pela insuficiente consciência ambiental da população. Logo, é relevante a efetivação das normas urbanas do Estatuto das cidades.
Sob essa ótica, no meio de consumo pós século XX os produtos produzidos pelo setor secundário da economia são majoritariamente descartáveis após curto prazo, a exemplo de polímeros de plástico, isopor e materiais eletrônicos, que passam por um processo de descarte inadequado. Fato que comprova tal perspectiva é a Revista Galileu, ao afirmar que a maior parte do lixo eletrônico do Brasil é descartado de maneira incorreta, gerando acúmulos de produtos tóxicos, decorrentes da oxidação desses materiais. Nesse viés, a busca por prestígio social no consumo, apresentado por Debord, associada ao acúmulo de lixo, decorrente da falta de um processo de coleta aos insumos comercializados eficiente, configuram a ratificação do despreparo das cidades ao modelo de vida hodierno.
Além disso, a insuficiente consciência ambiental da população é determinante no processo de sobreposição material que, em um meio afetado pelo descarte inadequado, promove graves danos socioambientais, como a poluição de rios e o aumento de doenças no âmbito cívico. Diante disso, o “Mito de Cassandra” retrata uma mulher vidente que previu a armadilha do “Cavalo de Troia”, mas não foi ouvida pela população, que foi dizimada na guerra. Análogo a isso, ambientalistas buscam alertar sobre o consumo desenfreado de objetos descartáveis, mas assim como Cassandra, são desconsiderados pela massa social, que junto ao consumismo fazem uso de canudos e sacolas não biodegradáveis, revelando pouca consciência ecológica, pois tais produtos geram poluição e abrigo para vetores de doenças. Dessa forma, observa-se como a sociedade do consumo proporciona desafios ao descarte de lixo no ecossistema brasileiro.
Evidencia-se, portanto, que para amenizar os problemas socioambientais decorrentes do acúmulo de lixo, é relevante ao Ministério de Desenvolvimento Regional efetivar os processos de descarte de lixo adequados nas cidades, por meio da introdução de um modelo de coleta seletiva, com investimento em maquinário associado à reciclagem de matéria prima, que será revendida à indústrias do setor secundário da economia. Assim, o meio se desenvolverá adaptado à Sociedade do Espetáculo.