O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 23/11/2021

A Constituição Federal de 1988, norma de maior valor para a justiça social brasileira, garantia de direito ao meio ambiente saudável para que todos tenham qualidade de vida. No entanto, a população se mostra distante da realidade prometida pela Carta Magna, haja vista que a quantidade de cidadãos vivendo em extrema pobreza em lixões e aterros só aumenta. Dessa forma, o consumo excessivo e o descarte incorreto de lixo apresentam-se como entraves para a persistência desse quadro alarmante.

Sob essa perspectiva, nota-se que a carência de recursos para conscientizar a população sobre o excesso de lixo produzido no Brasil, deriva da ineficácia do poder público na criação de mecanismos capazes de diminuir tais recorrências. Segundo o filósofo contratualista John Locke, o Estado foi criado a partir de um pacto social que garante os direitos fundamentais para todo cidadão, como saúde e moradia. Entretanto, é notório esse rompimento do contrato social, visto que é produzido cerca de 1,5 milhão de toneladas de lixo por semana no Brasil segundo o site da UOL, prejudicando o meio ambiente e a informação da população, evidenciando a ineficácia na administrações casos casos .

Outrossim, o descarte incorreto em aterros ou lixões apresenta-se como outro desafio dessa problemática. A novela televisiva da Rede Globo “Avenida Brasil”, retrata a situação da população que vive e trabalha nesses lugares de extrema pobreza, imundície e que prejudica a saúde, e assim, comprova-se a necessidade da intervenção do poder público para proporcionar outras alternativas nessas comunidades. Logo, isso retarda o combate aos problemas relacionados à produção de lixo, já que sua insuficiência contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Infere-se, portanto, após os fatos comunicados, que é necessária a mitigação dos entraves em prol do bem-estar da população. Assim, cabe ao Congresso Nacional, por meio de uma mudança na Lei de Diretrizes Orçamentárias, investir em estruturas para o encaminhamento correto do lixo, bem como orientação sobre a separação por meio de mídias, como televisão, jornal e internet, com o objetivo de trazer educação ambiental para jovens e adultos e, assim, auxiliar no processo de reaproveitamento da matéria-prima e incentivar a reciclagem em casas e indústrias. Dessa forma, a realidade da Constituição estará cada vez mais perto.