O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 19/06/2024

A Constituição Federal de 1988, lei fundamental e suprema do sistema jurídico brasileiro, prevê em seu artigo 225 o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Todavia, tal prerrogativa não tem se repercutido na prática quando se observa o destino dado ao lixo junto a coletividade. Dessa forma, vê-se que essa realidade se deve à inoperância estatal, em consonância com a sociedade consumista.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de projetos governamentais, e em alguns casos, a falta de estrutura para o recolhimento e tratamento ideal dos resíduos. Nessa conjuntura, segundo o ideário do filósofo John Locke, configura-se uma violação do “contrato social”, visto que o Estado descumpre sua função garantidora dos direitos inerentes ao cidadão. Logo, a má gestão pública, somada à falta de conscientização das pessoas permite que o problema se perpetue, gerando problemas de saúde e desequilíbrios ambientais.

É importante pontuar que o advento da Revolução Industrial iniciada na Inglaterra no século XVIII, trouxe muitas mudanças como aumento da produção e aos padrões de consumo. Nesse contexto consumista, o produto mesmo funcionando é substituído por lançamentos mais atuais, tornando produtos obsoletos pela rápida depreciação. Assim sendo, a conscientização das pessoas diminui a quantidade de lixo, enquanto permite a economia de dinheiro, que acarreta no menor desperdício.

Infere-se, portanto, a necessidade de conscientização sobre o consumo consciente e descarte de rejeitos no Brasil. Para isso, é mister que o Estado crie programa de coleta seletiva e, por meio de políticas de conscientização, em parceria com serviços sociais voltados às comunidades e escolas, invistam em palestras e propagandas midiáticas que ensine sobre causas e consequências quanto ao consumo desordenado de produtos e serviços da economia de mercado. Dessa maneira, com programas colocados na prática e sociedade bem educada, cada um poderá defender e preservar o meio em que vive para as presentes e futuras gerações.