O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 07/06/2022

O artigo 225 da Constituição Federal Brasileira de 1988 garante a todos os cidadãos o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. No entanto, na prática, tal proteção não é assegurada adequadamente, tendo em vista a questão do lixo e da sociedade de consumo no Brasil. Dessa maneira, a negligência estatal e indivíduos com hábitos consumistas constituem as duas principais causas dessa problemática.

A princípio, vale ressaltar que a produção de lixo em excesso é uma consequência da imperícia do Estado. Nesse sentido, segundo o filósofo contratualista John Locke, o bem-estar social é um dever da máquina administrativa. Entretanto, nota-se o descumprimento dessa tese, já que não existe um destino adequado para o lixo produzido no país. Além disso, o descarte incorreto desses materiais gera problemas sociais graves, como a proliferação de doenças na população que mora perto de aterros e lixões. Logo, a carência de políticas públicas pode provocar danos irreparáveis ao ecossistema e nos cidadãos.

Ademais, cabe apontar que o consumo desenfreado impulsiona o impasse do lixo. Nessa lógica, no livro “Ideias para adiar o fim do mundo”, o ativista ambiental Ailton Krenak discute sobre a péssima relação que o homem criou com a natureza ao longo do tempo. Nesse panorama, a industrialização afastou o ser humano do processo de criação de um produto, pois aquilo que antes era supervalorizado por ser único e durável, atualmente é de fácil acesso e descartavél. Dessa forma, há uma grande quantidade de lixo nas cidades e a falta de consciência ambiental dificulta a redução, o reuso e a reciclagem desses materiais.

Portanto, faz-se imprescindível que medidas sejam tomadas para reverter esse cenário. Para isso, o Ministério do Meio Ambiente deve realizar debates com engenheiros, médicos e sanitaristas acerca da questão do lixo, através de alterações na dinâmica urbana, as quais mudarão a forma de tratamento desses materiais e os locais onde ele é descartado, de modo a criar um país mais organizado, e minimizar os problemas sociais. Outrossim, compete à população repensar a sua forma de consumo, a fim de utilizar seu poder de escolha em prol do ecossistema. Assim sendo, o direito previsto na Magna Carta será de todos.