O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 14/08/2022

No filme “Wall-e”, o protagonista, um robô compactador de lixo, transita por diversos cenários cobertos de materiais descartados e aclara ao espectador uma realidade na qual os seres humanos falham em cuidar da biosfera. Análogo à ficção, o contexto do Brasil contemporâneo assemelha-se ao descrito na história apocalíptica de Wall-e, tendo em vista a falta de cuidado com o consumo e o descarte de produtos. Nesse sentido, vale dizer que o lixo produzido na sociedade brasileira pelo consumo desenfreado deve ser trabalhado com cautela, considerando as influências comportamentais e consequências ambientais.

Em primeiro plano, é preciso salientar que o consumo é um fato social. Nessa ótica, conforme o sociólogo Émille Durckheim, o fato social faz parte do conjunto de comportamentos e atividades que configuram o contexto de vivência de um indivíduo, fato esse que também influencia outras pessoas que não executam determinado comportamento. Dessa maneira, depreende-se que o consumo desenfreado, sendo um fato social, deve ser discutido com mais veemência, uma vez que depende da sociedade e do Estado brasileiro.

Adicionalmente, no processo de acúmulo de lixo, consequência do consumismo, consoante ao manejo inadequado desses recursos favorece diversos impactos ambientais. Entre essas intempéries, pode-e citar a magnificação trófica, a qual consiste na acumulação de toxinas entre os níveis das cadeias alimentares, as quais se concentram nos maiores níveis tróficos e, portanto, tendem a ser ingeridos em grande quantidade pelos seres humanos, retornando aos consumidores o que foi descartado inapropriadamente na natureza.

Em conclusão, entende-se que o lixo e a sociedade de consumo brasileira é uma questão que necessita de intervenções profundas e complexas, com uma parceria entre o governo brasileiro e a sociedade em questão. Destarte, é pertinente que o Estado crie projetos que comportem campanhas com maior assiduidade acerca do consumismo e das consequências dele aliado ao descarte irregular de produtos, além de favorecer com conjunto de atividades mais limpas e acessiveis financeiramente, considerando o saldo ambiental no processo produtivo, contribuindo para um desfecho diferente de Wall-e.