O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 17/10/2022

O filósofo brasileiro Raimundo Teixeira mendes, em 1889, adaptou o lema positivista “Ordem e Progresso” não só para a Bandeira Nacional, mas também para a nação, que no contexto hodierno, enfrenta significativos estorvos para seu desenvolvimento. Lamentavelmente, entre eles, o lixo e a sociedade de consumo no Brasil, representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que tal postura resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social. Esse lastimável panorama é calcado na inoperância estatal e tem como consequência a quantidade de aterro sanitário é insuficiente para suportar a quantidade de lixo.

De início, há de se constatar a débil ação do poder público enquanto mantenedora da problemática. Acerca disso o filósofo inglês Thomas Hobbes, em seu livro “Leviatã” defende a incumbência do Estado em proporcionar meios que auxiliem o progresso da coletividade. As autoridades, contudo, vão de encontro a teoria de Hobbes, uma vez que possuem um papel inerte em relação a questão do lixo e da sociedade consumidora no país. Esse cenário decorre do fato de que grande parte dos representantes governamentais negligenciam a conservação de direitos sociais indispensáveis, como o de não conviver perto de reservas de lixo.

Por conseguinte, engendra-se a falta de aterros sanitários para o descarte do lixo. Posto isso, de acordo com dados do IBGE do ano de 2000, no Brasil é coletado por dia em torno de 230000 toneladas de lixo, sem levar em consideração o descarte impróprio de lixo. Diante de tal exposto mesmo sendo um país com um vasto território, a quantidade de lixo supera a quantidade de aterros sanitários, essa sobrecarga afeta negativamente o meio ambiente e a saúde pública. As pessoas que tiram seu sustento ou somente moram perto desses locais sofrem pelas condições insalubres. Logo é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, que é mister a atuação governamental. Assim, a fim de a população entenda sobre a conduta correta no que diz respeito as consequências da produção exagerada de lixo e ao trato e descarte desses resíduos, cabe ao Poder Executivo Federal, mais especificamente ao Ministério do meio ambiente produzir campanhas e propagandas em mídias impressas e digitais, para que com isso a situação possa ser amenizada.