O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 21/10/2022
Em “Tempos difíceis”, do autor Charles Dickens, é retratado o Sr. Bounderby, um industrial que não hesita em poluir a cidade de Coketown em prol da sua busca famélica por lucros, cenário que reflete os primórdios da Revolução Industrial. Hodiernamente, essa lógica de produção vigora e é aprofundada pela existência da obsolescência programada (processo que diminui a duração dos objetos) e pela falta de instrução necessária nos lares e nas escolas a respeito dessa problemática.
Primeiramente, conforme Dickens, em sua obra supradita, “a ciência está confiando a natureza ao esquecimento”. Nesse sentido, pode-se afirmar que a redução da vida útil dos bens faz com que eles sejam recomprados recorrentemente, aumentado os ganhos dos poderosos, ao passo que uma grande quantidade deles é descartada desordenadamente, afetando negativamente o equilíbrio dos ecossistemas. Logo, o papel futurista da ciência reduz-se à inviabilidade de um futuro promissor.
Outrossim, de acordo com o sociólogo Edgar Morin, um dos saberes imprescindíveis para a educação do futuro diz respeito a ser ensinado, desde a tenra idade dos alunos, sobre os problemas do local em que eles vivem. Sob esse viés, é plausível dizer que a inexistência de uma matéria escolar voltada à preservação do meio ambiente faz com que a obsolescência programada permaneça sendo uma constante na realidade de consumo. Portanto, sem a educação necessária, esse panorama será mantido e agravado.
Dessarte, medidas são necessárias para suplantar a obsolescência programada e a educação ineficiente a esse respeito. Por isso, é mister que a mídia televisiva, por meio de uma série de reportagens, exibida em horário nobre, incentive o consumo consciente e aborde as complicações da redução da vida útil dos produtos nos panoramas futuros, com a finalidade de conscientizar os cidadãos e de levar esse debate aos lares. Ademais, faz-se premente que o Governo Federal, por intermédio de um projeto de lei, proponha a criação da matéria “Educação Ambiental”, que seja ministrada uma vez por semana nas escolas, com vistas a incentivar os jovens a solucionar as questões ambientais de seu entorno, o que inclui a obsolescência programada.