O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 09/11/2022
Em 1988, representantes do povo - reunidos em Assembleia Constituinte - instituíram um Estado Democrático a fim de assegurar o direito ao equilíbrio ambiental e a sustentalibilidade como valores supremos de uma sociedade fraterna. Entretanto, a pouca importância dada ao desenvolvimento de lixo de forma excessiva torna a aplicação desses direitos constitucionais uma utopia, seja pela manuntenção da cultura dos excessos, seja pela omissão do Estado.
Sob uma primeira análise, o consumismo inviabiliza a redução da quantidade de produtos duráveis e não duráveis descartados. A esse respeito, no século XIX, surgiu o conceito de Sociedade de Consumo, que critica o fato de praticamente todas as relações sociais serem baseadas em compra. Nesse sentido, o comportamento de parcela da população permanece se relacionando á prática consumista denunciada à mais de 100 anos, de modo que homens e mulheres estão submissos ao gasto inconsciente de produtos, influenciados pela mídia e pela indústria por sua constante inovação. Dessa forma, é incoerente que, mesmo se tratando de uma nação pós-moderna, ainda se perpetue a falta de conscientização socioambiental.
De outra parte, o Estado se mostra incapaz de atuar conforme a Constituição. Nesse viés, John Locke - filósofo conhecido como Pai do Liberalismo - construiu a tese que os indivíduos cedem sua confiança ao Estado, que em contrapartida, deve garantir os direitos dos cidadãos. Ocorre que a ideia de Locke está distante de ser realidade no cenário ecológico, já que o Poder Público negligencia a Constituição de 1988 - retratada como Tratado moderno sobre o meio ambiente - que reforça a sustentabilidade como um Direito Humano. Assim, enquanto o silêncio estatal for a regra, a produção de lixo sustentável será a exceção.
Urge, portanto, a ação das escolas - responsáveis pelas modificações sociais - para conscientizar as próximas gerações. Nesse sentido, o Ministério da Educação deve realizar projetos pedagógicos, por meio de palestras com ambientalistas, com a finalidade de mudar a mentalidade consumista dos jovens, e aumentar a preocução social sobre reciclagem e descarte impróprio do lixo, de sorte a formar uma sociedade justa, solidária e ecológica.