O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 18/10/2023
O conto ‘‘O Sonho de um Homem Ridículo’’ de Fiodor Dostoiéviski, apresenta a história de um personagem que, em um sonho, habita numa sociedade perfeita, a qual é marcada pela ausência de problemas sociais. Fora do enredo ficcional, a conjuntura brasileira apõe-se à idealizada por Dostoiéviski, uma vez que as problemáticas relacionadas ao lixo tem se tornado grandes empecilhos a serem superados. Dessa maneira, medidas são necessárias para aplacar o impasse, o qual tem como base a mentalidade capitalista e a negligência estatal.
Nesse contexto, depreende-se que a ganância capitalista é um fator primordial para a manutenção do revés. Nesse aspecto, de acordo com Karl Marx, o sistema capitalista visa ao lucro e, assim, ignora os efeitos negativos causados pela busca excessiva do capital. Sob esse viés, fomentado pela obsolescência programada, o Brasil encontra-se entre os 10 países que mais produz lixo no mundo. Com efeito, diariamente toneladas de plástico são descartadas de forma irregular, muitas vezes, em lixões a céu aberto. Logo, torna-se evidente que a mentalidade capitalista representa um fator preponderante no que tange a superação de nefasto cenário.
Além disso, é válido discorrer acerca da ineficiência governamental como coadjuvante que potencializa os impasses relacionados ao descarte de lixo nesse território. Diante disso, a Constituição Federal de 1988 assegura à população o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Entretanto, isso não é observado na prática, tendo em vista que os vazadouros a céu aberto ainda fazem parte da realidade dos brasileiros, não só colocando em risco à saúde do corpo civil como, também, acarretando inúmeros impactos ambientais. Dessa forma, enquanto essas mazelas persistirem, difícil será alterar esse quadro lamentável.
Mediante o exposto, observa-se a necessidade de impedir o avanço dos desafios relacionados ao lixo no Brasil. Desse modo, cabe ao Estado - enquanto garantidor de direitos fundamentais - não só criar palestras que instruam os indivíduos sobre o descarte correto de detritos, como investir parte do PIB na implementação de aterros sanitários. Tais ações devem ser realizadas por meio do apoio de todas as esferas federais.