O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 21/10/2024

De acordo com a Geografia, uma consequência indissociável do processo produtivo é a geração de resíduos para o descarte, isto é, lixo. Nesse sentido, torna-se premente analisar as razões pelas quais o lixo é uma grave problemática no Brasil contemporâneo, agravado pela sociedade de consumo. Dessa forma, é crucial discutir sobre a motivação de ordem socioeconômica e o papel da mídia.

Diante desse cenário, avalia-se a conjuntura capitalista como um terrível fator intensificador da produção de resíduos. Nesse viés, Hans Alois, ambientalista e sociólogo alemão, elucida que a característica principal do modelo econômico supracitado é a priorização do lucro em detrimento do desenvolvimento sustentável. Consoante ao teórico, infere-se o impacto do capital no que tange ao agravamento do óbice, haja vista que, ao focar na maximização do retorno financeiro, preocupa-se menos com o descarte adequado dos subprodutos gerados ao longo da produção. Logo, evidencia-se a necessidade da transformação da mentalidade estrutural com o fito de superar a problemática analisada.

Ademais, pontua-se o impacto da mídia sobre o pensamento coletivo, de forma a promover, por intermédio de propagandas massivas, o consumo irresponsável na sociedade. A respeito disso, Theodor Adorno, sociólogo alemão, explica que a mercantilização da mídia, advinda do capitalismo pungente, culmina na formação de indíviduos acríticos, ou seja, com uma menor capacidade de avaliar os impactos ambientais da fruição material. Com isso, estimula-se, primariamente, o consumo e omitem-se as informações relevantes, por exemplo, se a destinação do lixo produzido é realizada de maneira adequada pela empresa. Desse modo, inibe-se o questionamento social acerca da responsabilidade ambiental, contribuindo para a continuidade da problemática estudada.

Portanto, depreende-se a necessidade da adoção de medidas capazes de minimizar os efeitos da produção irresponsável de lixo. Assim, cabe ao Ministério Público, responsável pela representação dos interesses cívicos, promover campanhas de conscientização sobre a geração de resíduos por parte das empresas, por meio da utilização das redes sociais ministeriais, a fim de estimular a mobilização social para cobrar soluções empresariais significativas para o óbice.