O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente
Enviada em 11/11/2021
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 225, o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado como inerente a todo cidadão brasileiro. Contudo, na prática essa prerrogativa não é concretizada, haja vista que o descarte irregular de lixo eletrônico ocasiona consequências ambientais nocivas. Desse modo, a negligência industrial e a falta de educação ambiental atuam como contribuintes dessa conjuntura negativa.
De início, a irresponsabilidade das indústrias caracteriza-se como propulsora do problema. Nesse viés, o sociólogo Karl Marx, em sua obra “O Capital”, afirma que as instituições empresariais, em sua busca incessante por lucros, desprezam os efeitos negativos que os meios de produção causam ao meio ambiente. Sob tal ótica, percebe-se que as empresas, a fim de elevar a lucratividade, diminuem o tempo de vida útil dos produtos eletrônicos, buscando maior comercialização. Com isso, há o aumento de lixo eletrônico no país, uma vez que os objetos são rapidamente descartados por outros mais recentes e mais atualizados. Dessa forma, essa obsolescência programada acarreta desequilíbrios ambientais, uma vez que as inúmeras toneladas de resíduos liberam substâncias tóxicas, como o mercúrio, que acabam poluindo o solo e os lençóis freáticos. Assim, enquanto não houver reformulação na postura industrial, os impactos ecossistêmicos serão cada vez maiores.
Ademais, a falta de educação ambiental é outro fator que colabora com o impasse. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil produz 1,5 milhões de toneladas de lixo eletrônico anualmente. Isso ocorre devido a ausência de ensino ambiental, haja vista que as escolas não abordam a temática de forma ampla e concreta, expondo tanto as conseqências ambientias, como poluição hídrica e atmosferica, quanto as consequências negativas causadas a saúde dos seres vivos, como o surgimento de câncer e cegueira. Desse modo, sem o desenvolvimento da consciência ambiental, os cidadãos irão reproduzir cada vez mais tais comportamentos nocivos.
Portanto, medidas são necessárias para mitigar tal problemática. Posto isso, o Ministério do Meio Ambiente-órgão responsável por questões ambientais- deve, por meio de verbas governamentais, elaborar campanhas informativas nas mídias sociais, como Facebook e Instagram, com especialistas no assunto, a fim de alertar os cidadãos acerca da obsolescência programada, instruindo-os a trocar e adquirir produtos eletrônicos somente quando houver necessidade, com a intenção de diminuir as inúmeras toneladas de lixo e minimizar os impactos ambientais e sociais. Além disso, cabe ao Ministério da Educação inserir a educação ecossistêmica na grade curricular de todas as escolas, a fim de promover consciência ambiental. Com esses feitos, o direito descrito na Carta Magna será efetivado.