O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente
Enviada em 11/11/2021
A animação cinematográfica “Wall-E” mostra um panorama distópico marcado pela devastação do planeta, haja vista a nociva ação humana no que tange ao excessivo descarte de lixo. Fora da ficção, o enredo desse longa-metragem põe em pauta um comportamento que persiste em fazer parte do corpo coletivo contemporâneo: o uso inadequado dos rejeitos eletrônicos e os impactos causados à biosfera terrestre. Nesse sentido, é imperioso salientar os lesivos interesses capitalistas como causa e a instabilidade ambiental como sequela desse estorvo à nação brasileira.
Sob esse viés, cabe ressaltar, primordialmente, a conduta capitalizada da coletividade como elemento determinante dessa problemática. Nessa ótica, durante a crise de 1929, foi proposto pelo empresário Bernard London a produção de mercadorias com o envelhecimento rápido e previamente estabelecido, objetivando estimular o consumo pela população da época. Com isso, é perceptível como a prática da obsolescência programada viabiliza, de forma significativa, os entraves causados pelo lixo eletrônico, já que a pequena vida útil dos produtos tecnológicos fomenta a compra demasiada e o consequente refugo dessas ferramentas no meio ambiente. Dessa maneira, a busca pela lucratividade a qualquer custo reflete a faceta obscura do tecido civil e revela a ganância do ser humano.
Ademais, é imperativo pontuar os impactos gerados por esse imbróglio no planeta, uma vez que o despojo inadequado de itens eletrônicos engendra o danoso acúmulo de materiais pesados no ecossistema terrestre. Nessa senda, de acordo com o artigo 225 da Constituição Federal, todos os indivíduos têm o direito ao ambiente ecologicamente equilibrado. Contudo, nota-se que os lixos eletrônicos, quando descartados de forma inapropriada, devido, por exemplo, a falta de postos de coleta no país, possibilitam o fenômeno da bioacumulação, em que elementos como o mercúrio permanecem nos organismos da cadeia trófica. À vista disso, esses rejeitos ferem as diretrizes da Magna Carta ao contribuírem para o desgaste ambiental, assim como foi representado em “Wall-E”.
Verifica-se, portanto, a necessidade de medidas capazes de sanar esse preocupante quadro pátrio. Para tanto, urge que o Poder Executivo, importante gestor dos interesses comunitários, promova, em parceria com as corporações empresariais responsáveis pela fabricação de gêneros eletrônicos, centros de reciclagem em todo território canarinho, no intuito de que, por meio do capital público-privado, seja possível fortalecer o biodesenvolvimento. Outrossim, cabe às mídias, por intermédio de massivas campanhas de conscientização, alertar os internautas acerca dos malefícios do descarte impróprio desses itens no meio ambiente, a fim de formar cidadãos mais engajados com as questões ecológicas. Destarte, será viável construir uma realidade que difere da retratada no filme “Wall-E”.