O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente
Enviada em 11/11/2021
Conforme o filósofo Hans Jonas, o “Princípio da Responsabilidade” se baseia na consciência individual de que toda ação possui consequências coletivas, pessoais, a curto e a longo prazo. Entretanto, no que diz respeito ao lixo eletrônico no meio ambiente, nota-se que os indivíduos ignoram esse ideal e não refletem sobre os prejuízos do descarte em locais impróprios. Destarte, é fulcral destacar que esses resíduos são causados pelo consumismo exacerbado e impactam, sobretudo, o meio ambiente.
Em primeiro plano, é mister analisar que o consumo intensifica a produção de lixo eletrônico. Nesse sentido, após a 3º Revolução Industrial, os tecnopolos criaram o “Ciclo de Obsolescência Programada”, estratégia econômica, que encurta -propositalmente- a vida útil dos aparelhos, estimulando a substituição imediata deles. Como reflexo dessa necessidade criada, os indivíduos são pressionados, por meio de propagandas e mídias sociais, a comprarem determinados produtos, que os torna pertencentes a determinados grupos e classes sociais. Exemplo desse comportamento compulsório foi abordado pela entidade “Green Eletron”, a qual demonstrou que o Brasil está entre os 10 países mais produtores de lixo tecnológico. Tal dado, infelizmente, retrata a realidade brasileira com exatidão, uma vez que, em uma população líquida, segundo Zygmunt Bauman, o ter sobrepõe-se ao ser.
Ademais, em segundo plano, é imperioso pontuar que o descarte indevido dos resíduos eletrônicos prejudica o solo e os meios hídricos. Sob esse viés, o abandono impróprio do lixo gera o processo biológico de magnificação trófica, que consiste no acúmulo irreversível de compostos tóxicos no ambiente. Como resultado disso, a terra se torna inapropriado para o desenvolvimento pleno das plantas, haja vista que haverá sobreposição desses materiais maléficos sobre os benéficos, causando o escleromorfismo arbóreo, igual ao que acontece naturalmente no Cerrado brasileiro, em que os troncos das árvores são retorcidos. Além disso, tais substancias, por meio da chuva, são depositadas nos ecossistemas aquáticos, afetando-os duplamente, na medida em que diminui a potabilidade da água e aumenta a mortalidade dos animais de topo de cadeia, pois as toxinas se concentram neles.
Portanto, a fim de reduzir a pressão do lixo eletrônico sobre o meio ambiente, é fundamental que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, promova debates e palestras, em todas as regiões do país, explicando sobre a importância do descarte correto desse tipo de resíduo, com a presença de vídeos explicativos sobre os malefícios da atitude atual da população, de geógrafos e biólogos, os quais explicarão a maneira correta de descartar tais produtos tecnológicos. Assim, o país dará um primeiro passo em direção ao “Princípio da Responsabilidade” de Hans Jonas.