O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente

Enviada em 18/11/2021

“O amor por princípio, a ordem por base; o progresso por fim”. Esse lema positivista, formulado pelo filósofo Auguste Comte, inspirou a frase política “Ordem e Progresso”, exposta na célebre bandeira nacional. Todavia, a realidade dificultosa vivenciada no Brasil representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que os impactos negativos do lixo eletrônico—grave problema a ser solucionado pela sociedade— resultam na desordem e no retrocesso ambiental. Nesse contexto, fatores como a obsolescência programada e a omissão estatal solidificam tal mazela.

Diante do exposto, cabe comentar que o descarte precoce de aparelhos eletrônicos é um forte catalisador do dilema. Nessa perspectiva, o conceito de “obsolescência programada”, criado no cenário da Grande Depressão, é um método que consiste em produzir itens já estabelecendo o término de suas vidas. Em virtude disso, essa técnica tende a forçar a compra de novos produtos e, consequentemente, o abandono do objeto anteriormente usado. Na contemporaneidade, essa estratégia tem alavancado drasticamente a quantidade de e-lixo no Brasil, o qual se tornou o maior gerador desse produto na américa latina, segundo afirmou a Organização das Nações Unidas, em 2019. De fato, enquanto o senso crítico sobre a obsolescência não for estimulado, o aumento desse fator continuará sendo uma regra, panorama que fomenta a insustentabilidade do país.

Além disso, o dilema encontra terra fértil no descarte irregular. Dessa forma, os dispositivos eletrônicos, a exemplo dos celulares, possuem determinado conteúdo poluente em sua composição, como o mercúrio. No contexto biológico, esse composto tóxico, teoricamente abandonado de maneira irresponsável, pode se misturar ao solo e à água dos rios, além da bioacumulação—processo pelo qual substâncias são absorvidas pelos organismos. Desse modo, a poluição ambiental, causada pelo manejo inconsequente de e-lixo, representa um grave problema de saúde pública. Contudo, as políticas públicas de gestão desses resíduos ainda são insuficientes.

Portanto, é dever do Ministério do Meio Ambiente estimular o manejo adequado do lixo eletrônico, por meio da distribuição de postos de coleta pelas cidades brasileiras. Essa ação contará com a parceria entre poder público e instituições, a exemplo dos comércios, das unidades básicas de saúde e das escolas, que serão os lugares estratégicos de descarte do e-lixo pela população. Espera-se, com essas medidas, minimizar o abandono imprudente desses resíduos sólidos. Ademais, é encargo da escola, em suas aulas de sociologia e de história, incitar a criticidade dos alunos no que concerne à obsolescência programada, a fim de perpetuar a conscientização a respeito da alta produção de lixo. Por certo, a sociedade resolverá o impasse e, assim, caminhar-se-á rumo à ordem e ao progresso.