O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente

Enviada em 16/11/2021

Em “Wall-e”, filme de animação estadunidense, em decorrência do excesso de entúlio na Terra, os seres humanos habitam uma grande nave espacial. Na atualidade, o descarte incorreto de lixo eletrônico na natureza tem sido um fator contribuinte para que cenários análogos tornem-se reais, haja vista os seus impactos para o meio ambiente. Dentre eles, está a poluição dos recursos naturais e o comprometimento da saúde dos seres vivos, fatores que devem ser combatidos.

Primariamente, vale ressaltar que é a composição química dos resíduos sólidos eletrônicos um fator poluidor dos recursos naturais. Nesse contexto, na Lei da Conservação das Massas, o químico francês Antoine Lavoisier, conhecido e aplaudido como o pai da química moderna, afirma que, na natureza, as coisas não são criadas ou perdidas, porém, transformadas. Na análise do pensamento de Lavoisier, ao ser descartado inadequadamente, o chamado e-lixo não é destruído, mas transformado em impactos negativos para o meio ambiente. Nessa visão, os constituintes do lixo eletrônico, tais como vários metais pesados, são bioacumuladores, o que significa dizer que, de forma crescente e gradativa, espalham-se. A partir disso, poluem a natureza, inclusive o solo, a água e as formas de vida neles existentes, fator que deve ser minimizado, com vistas a garantir a estabilidade ambiental.

Outrossim, se por um lado o lixo eletrônico aumenta a bioacumulação de resíduos tóxicos na natureza, por outro, concomitantemente, altera o estado de saúde dos seres vivos, inclusive dos humanos. Diante dessa afirmação, se pode afirmar que, ao serem expostas aos materiais pesados, constituintes dos entúlios comentados, pessoas contaminam-se e desenvolvem doenças. Isso é revelado, por exemplo, na pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS), que destacou que cerca de 13 milhões de mulheres, ao trabalharem nos setores de coleta, cheios, expoem a si e aos seus filhos a esses resíduos. Abílio Guerra Junqueiro, famoso poeta português, defendia a saúde como uma das chaves para a conquista da felicidade, fator que, com o problema descrito, é difícil de ser alcançado, haja vista o aumento no risco dos indivíduos desenvolverem patologias diversas.

Destarte, é imprescindível que o descarte de lixo eletrônico seja feito de forma adequada pelas pessoas, a fim de combater seus impactos ao meio ambiente. Portanto, o Ministério da Saúde, órgão responsável pelas diretrizes de bem estar no Brasil, em conjunto com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, que zela pelas questões tecnológicas, deve promover, por intermédio das prefeituras municipais, palestras que discutam a importância de um descarte consciente do e-lixo, com o auxílio de profissionais capacitados. Quiçá, tais medidas diminuirão a poluição dos recursos naturais e garantirão a saúde populacional, de maneira a evitar cenários análogos ao descrito em “Wall-e”.