O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente

Enviada em 11/11/2021

A “Atitude Blasé”, termo proposto pelo sociólogo George Simmel, ocorre quando o indivíduo passa a agir com indiferença em meio às situações nas quais deveria dar atenção. Em vista disso, a premissa do pensador vai de encontro com o panorama atual, posto que os desafios no combate ao lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente vêm sendo mediocrizados. Logo, convém analisar o comportamento consumista da sociedade e a negligência estatal como incitadores do problema.

Nesse contexto, é significativo evidenciar como as ações sociais operam nessa questão. Sob esse viés, o progresso de uma organização capitalista em um mundo fortemente globalizado levou ao acervo exorbitante de detrito eletrônico, efeito de hábitos consumistas e da obsolescência programada. Nesse sentido, Karl Marx defendia que o homem se apropria da natureza, mantém relações entre si e cria, constantemente, novas necessidades de consumo. Nessa perspectiva, o corpo social não rompe com tal ideia, uma vez que, motivados pela indústria de tecnologia, sentem a precisão de adquirir novos produtos para manter-se atualizados às tendências do mercado. Todavia, esse hábito faz com que o descarte dos materiais antigos seja mais frequente, fomentando, assim, o acúmulo desse tipo de lixo.

Ademais, é oportuno ressaltar a inoperância estatal na criação de medidas públicas eficazes como agravadora do problema. Diante disso, segundo o relatório “The Global E-Waste Monitor”, no ano de 2019, dois milhões de toneladas de lixo eletrônico foram descartadas no Brasil e apenas 3% dos materiais foram desfeitos corretamente, o que está relacionado à carência de regiões de coleta preparadas para o destino correto de tal detrito, dado que sua constituição necessita de táticas específicas de descarte, deslocamento e viável reciclagem. Dessa forma, a limitação governamental na edificação, normatização e fiscalização de pontos de coleta é um fato que valida o vasto acúmulo de rejeitos e com os impactos ambientais relacionados, como a poluição e contaminação de solos e rios por mercúrio e alumínio, e problema na saúde da população como câncer e tumores. Isto posto, faz-se crucial a mudança de tal conduta.

Portanto, torna-se frulcral reagir contra esses entraves. Desse modo, o Ministério do Meio Ambiente, deve executar políticas públicas de estímulo à obtenção consciente, mediante ações publicitárias que incentivem os cidadãos a não substituírem seus aparelhos eletrônicos superfluamente, para que notem os prejuízos do consumo exacerbado dessas ferramentas. Além disso, é essencial que o governo federal certifique que a população e as empresas descartem corretamente os resíduos eletrônicos, construindo postos de coleta em todas as cidades do país, a fim de conter o acúmulo desses materiais. Somente assim, será viável romper com o pensamento de Simmel.