O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente

Enviada em 11/11/2021

A animação “Wall-e”, lançado em 2008 pela Pixar, retrata o cenário inabitável do planeta Terra, que foi destruído pelos impactos ambientais causados por um povo extremamente consumista. No entanto, na contemporaneidade brasileira, as pessoas estão sendo dominadas pela era digital e não se mostram preocupadas em evitar o prognóstico abordado no filme. Dessa forma, apesar dos esforços para coibir esse quadro, a produção de lixo eletrônico é um desafio no país, que ocorre, infelizmente, devido não só à ineficiência das leis nacionais, mas também ao capitalismo vertiginoso enraizado na sociedade.

Convém ressaltar, a princípio, que o cenário supracitado contraria o disposto na legislação do Brasil. Isso, porque a Constituição Federal assegura que é dever do Estado dar um destino adequado aos resíduos e garantir a saúde de todos. Contudo, é desalentador notar que essas diretrizes não são plenamente aplicadas, uma vez que, conforme o Portal G1, o país já é um dos maiores produtores de detritos computacionais e, ainda, não possui medidas apropriadas para descartar celulares e outros dispositivos. Desse modo, além deles poluirem o meio ambiente contaminando os solos, desenvolvem várias doenças, como problemas respiratórios e danos no sistema nervoso. Sob essa ótica, há um risco de as normas serem extintas, o que reitera a afirmação do escritor Dante Alighieri: “as leis existem, mas quem as aplicam”. Tal quadro se configura como contraproducente e não pode ser negligenciado.

Outrossim, é importante pontuar que o consumismo desenfreado e imprudente é outro fator que contribui para a perpetuação desse empecilho. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, na “Teoria de Habitus”, o povo tende a incorporar determinada estrutura, de modo a naturalizá-la e reproduzi-la. De fato, desde a década de 70, os indivíduos adotaram e se adaptaram a obsolescência programada, que é uma propriedade do modelo de produção “toyotista” que se baseia na fabricação de mercadorias com um tempo de vida útil que dure menos do que a tecnologia permite. Assim, o sistema capitalista, sobretudo as empresas de aparelhos digitais, consegue controlar e persuadir os consumidores a, cada vez mais, assumirem um ciclo baseado em  comprar, usufruir e jogar fora. Logo, amplifica-se uma população menos sustentável e mais frustrada por não conseguirem seguir os avanços tecnológicos.

Infere-se, portanto, que meios precisam ser clarificados para controlar o aumento progressivo dos danos causados por esse tipo de lixo. Nesse sentido, cabe ao governo federal, ente responsável pelo bem-estar coletivo, arquitetar um plano nacional em favor da nação, por meio da elaboração de leis que exijam que as empresas do setor tecnológico implantem um método de coleta desses resíduos, a fim de preservar o planeta e a higidez nacional. Ademais, é necessário criar programas que sensibilizem os cidadãos a se tornarem consumidores conscientes que evitem o nesfato panorama de “Wall-e”.