O lixo eletrônico e seus impactos no meio ambiente
Enviada em 11/11/2021
A animação ‘‘Wall-e’’ retrata o mundo após o uso inadequado dos recursos naturais e o alto descarte indevido de produtos, fato esse que resulta na mudança da população terrestre para outro planeta. De maneira análoga à ficção, o grande contingente de lixo eletrônico brasileiro também traz infelizes impactos ao meio ambiente do país, os quais podem ser tanto na saúde dos cidadãos quanto na preservação da fauna e da flora. Diante disso, o combate a esse impasse, ocasionado tanto pela lógica capitalista quanto pela ineficiência da máquina pública, é de caráter imprescindível.
Primordialmente, é válido ressaltar que a relevância superior dos interesses financeiros está na base do problema. Sobre isso, o sociólogo Zygmunt Bauman diz que os valores da sociedade estão sendo colonizados pela lógica de mercado. Nesse contexto, a fala do pensador pode ser confimada na realidade hodierna, uma vez que os dispositivos eletrônicos produzidos são feitos de maneira a apresentarem defeitos em um prazo de tempo determinado pela companhia criadora - conceito esse apresentado pela geografia como ‘‘obsolescência programada’’ - e a gerarem lucros cada vez maiores aos proprietários dos negócios. Em vista disso, os consumidores acabam tendo que adquirir, periodicamente, novos aparelhos e, por consequinte, descartar os antigos não funcionais, aumentando o volume de lixo eletrônico produzido e os desequilíbrios ecológicos, como a poluição de rios e de lençóis freáticos por metais pesados presentes nas baterias tecnológicas.
Além disso, pode-se apontar a negligência governamental perante a dinâmica do e-lixo no Brasil como outro fator determinante para a manutenção da problemática. De acordo com a Constituição Federal de 1988, o Estado é o agente responsável pela garantia do direito do cidadão a um meio ambiente ecologicamente equilibrado. No entando, descupre tal preceito ao, erroneamente, deixar de distribuir postos de coleta de lixo eletrônico, o qual exige, devido a sua alta capacidade contaminadora, uma destinação diferente dos outros tipos de dejetos, em todos os municípios do país. Dessa forma, a população é impossibilitada de fazer o devido descarte de seus aparelhos, em especial nas regiões mais afastadas da malha urbana, e a degradação do espaço natural é permitida.
Portanto, medidas estratégicas são necessárias. Posto isso, o governo federal - órgão responsável pela administração do país - deve criar uma agenda específica acerca da questão do e-lixo, através da destinação de verbas para distribuição de postos de coleta de maneira democrática em todo território nacional. Tal agenda contaria, ainda, com a instrução da população a respeito da periodicidade de suas compras, com o fito de não só minimizar os impactos ambientais, mas também garantir o esclarecimento dos indivíduos sobre o assunto. Assim, o futuro não será como o descrito em ‘‘Wall-e’’.